— Então vamos fazer assim: todo mundo coloca o celular na mesa, e o primeiro que receber ligação paga a rodada de cerveja! — Samuel Palmeira propôs, já animado, tirando seu próprio aparelho do bolso e colocando sobre a mesa.
Gustavo Ferreira também tirou o celular e o deixou ao lado.
— Olha só, Jaime está confiante, hein? — Samuel Palmeira brincou.
Os outros, vendo a movimentação, não ficaram para trás e começaram a colocar os próprios celulares na mesa, um a um.
Com um estalo, Marcelo Senna largou o celular pesadamente, como se marcasse presença num jogo de cartas.
Hector Matos soltou um suspiro. Se fosse algum tempo atrás, Marcelo Senna jamais teria coragem de expor o aparelho assim, especialmente quando Marina Cavalcanti mandava e desmandava nele. Era certeza que perderia logo de cara.
Hector Matos virou-se para Gustavo Ferreira:
— Viu só? Melhor não casar, não acha?
Gustavo arqueou as sobrancelhas, fitou Hector e respondeu:
— Mas por que você tem tanta implicância com nós, casados?
— É para o seu próprio bem. Você não entende e eu nem vou perder tempo explicando.
Hector era convicto em não se casar, e acabava sempre demonstrando certa resistência com quem tinha escolhido o casamento.
Foi então que, de repente, um dos celulares começou a tocar.
A expressão de todos mudou para um misto de expectativa e diversão.
Quase todos os olhares se voltaram para Gustavo Ferreira. Para eles, era quase certo que alguém procuraria por ele naquele momento.
— Poxa vida, quem é que me liga a essa hora? — Samuel Palmeira resmungou, surpreso.
Só então todos perceberam que era o celular dele que estava tocando.
Os demais ficaram com expressões estranhas, tentando conter o riso.
Hector Matos encarou Samuel Palmeira tão fixamente que deixou o colega desconfortável.
— Samuel Palmeira, será que você está... escondendo alguma coisa?
— Que nada! Juro por tudo, outro dia esse aí ficou se exibindo pra mim, dizendo que queria um romance açucarado — Renato Oliveira não se aguentou e comentou — Vocês não têm ideia do quanto foi constrangedor, quase vomitei ali mesmo.
Samuel Palmeira lançou um olhar fulminante para Renato Oliveira, como se quisesse esmagá-lo só com o olhar.
Agora, uma “coisa boa” na família? Será que o irmão dela casou?
O fato de Sofia ter ido embora sem avisar ninguém era estranho.
— Melina Barbosa, mais alguma coisa? — Samuel Palmeira perguntou — Quer aproveitar e falar um pouco com o Jaime, seu marido?
Mas Melina, preocupada com Sofia, respondeu logo:
— Diz pra ele que eu e Tomás Cruz vamos procurar a Sofia, tá bom?
Samuel Palmeira ainda quis continuar a conversa, mas Melina já havia desligado.
Ele voltou-se para Gustavo Ferreira, com expressão inocente:
— Olha, não fui eu quem desligou na sua esposa, ela mesma que encerrou.
— Entendi — Gustavo Ferreira respondeu, a voz fria.
De repente, levantou-se bruscamente da cadeira.

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