— Me desculpe, acabei te envolvendo nisso — disse Melina Barbosa.
Tomás Cruz balançou a cabeça e, ao notar como Melina Barbosa parecia mais magra desde a última vez em que se viram, respondeu:
— Você também passou por maus bocados ultimamente, não foi?
Melina Barbosa abanou a cabeça.
— Não foi nada.
Ela fez uma breve pausa e então acrescentou:
— Ah, tenho uma boa notícia pra te contar: encontramos a Sofia!
O coração de Tomás Cruz se encheu de alegria. Ele sorriu espontaneamente, mas o movimento puxou o canto machucado de sua boca, e ele não pôde evitar soltar um gemido:
— Ai, isso dói...
— Quando voltarmos, vou passar um pouco de pomada no seu machucado. Depois de aplicar, não vai doer mais — disse Melina Barbosa.
— Está bem — respondeu Tomás Cruz.
O Chefe Bai, observando Gustavo Ferreira ao lado, que parecia um pouco incomodado, comentou:
— Acho que você está arrependido de ter ajudado eles a sair daqui, não é?
— Não, você está enganado — respondeu Gustavo Ferreira.
O Chefe Bai sorriu.
— Não costumo me enganar.
— O senhor já está ficando velho, a vista não anda lá essas coisas — retrucou Gustavo Ferreira.
O Chefe Bai ficou em silêncio por um momento, sentindo-se ofendido pela resposta direta, mesmo tendo apenas constatado um fato.
— Na próxima oportunidade, chame o Samuel Palmeira pra vir também. Quero tomar uns drinks com aquele garoto — disse o Chefe Bai.
Na verdade, tanto Samuel Palmeira quanto Gustavo Ferreira conheciam o Chefe Bai, mas foi Samuel Palmeira quem apresentou Gustavo a ele. Por isso, Gustavo sempre pedia a Samuel para falar com o Chefe Bai, em vez de procurá-lo diretamente, para não criar desconforto.
— Pode deixar — respondeu Gustavo Ferreira.
— É melhor vocês irem logo. Vou escoltar vocês até a fronteira do Brasil. Lá, com o pessoal de vocês, estarão seguros — disse o Chefe Bai.
Melina Barbosa não sabia quanto tempo havia dormido. Quando abriu os olhos, ainda era dia.
Ela se espreguiçou e perguntou:
— Não devo ter dormido muito, né?
Gustavo Ferreira, deitado ao seu lado, apoiando a cabeça com uma mão e lançando-lhe um olhar divertido, respondeu:
— Você dormiu um bocado, sim. Desde ontem até agora, passaram-se mais de dez horas. Se não acordasse logo, eu já ia chamar um médico pra te examinar.
Melina Barbosa ficou surpresa, assustada com sua própria exaustão.
— Não é possível! Eu sempre tive sono leve, nunca durmo tanto tempo assim.
— É normal — explicou Gustavo Ferreira. — Você ficou em alerta o tempo todo nos últimos dias, não conseguiu relaxar. Agora, de volta ao país, finalmente pode descansar de verdade.
Melina Barbosa assentiu, reconhecendo que fazia sentido.
Depois daquele sono profundo, ela realmente se sentia muito melhor.
— E o Tomás Cruz? Vou procurá-lo — disse Melina Barbosa.

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