— Então é isso, pelo visto eles só não encontraram ainda a melhor maneira de conviver com você. Deixa comigo, vou conversar com eles direitinho. Depois que souberem quais são os seus limites, tudo vai ficar mais tranquilo — disse Melina Barbosa.
A avó apressou-se em responder:
— Ah, não fala nada, por favor, não comenta com eles. Vai que a Mary Chan fica chateada, achando que estou pegando no pé dela.
A avó sempre se segurava para não falar dessas coisas, porque achava que não valia a pena criar desconforto, só deixaria todo mundo de cabeça quente.
Realmente, não precisava!
— Não se preocupe, vou conversar primeiro com o tio — disse Melina Barbosa.
— Mas... mas, pelo amor de Deus, não diga que fui eu quem falou nada. E cuidado pra não parecer que está contra a Mary Chan. Ela também não tem vida fácil.
— Pode deixar, eu entendi.
No dia seguinte, Melina Barbosa convidou Zeus Chou e outros familiares para almoçarem em casa. Eles trouxeram vinho e vários presentes.
Um chef de cozinha ficou responsável pelo almoço, então a avó poderia simplesmente esperar sentada, mas ela não conseguia ficar parada e insistiu em ajudar o chef na cozinha.
No meio da correria, num descuido, a avó acabou batendo a cintura.
Mary Chan murmurou baixinho:
— Ninguém mandou se meter onde não precisa...
Na verdade, ela não queria pegar no pé da avó, mas muitos hábitos eram diferentes e ela sentia como se a avó estivesse implicando com ela de propósito.
Só que Mary Chan guardava tudo para si e nunca falava abertamente, o que só fazia aumentar o desconforto.
— O que você disse, Mary Chan? — Zeus Chou olhou para ela, o cenho levemente franzido, visivelmente incomodado.
Só aí Mary Chan percebeu que sua reclamação tinha escapado mais alto do que imaginava, e todos ouviram.
Percebendo que não tinha mais como disfarçar, Mary Chan pensou que não adiantava esconder.
Ela sabia bem o quanto Zeus Chou valorizava a senhora.
Ela entregou a Mary Chan:
— Mary Chan, esse é o pingente de jade da nossa família. Não sabemos exatamente de que época ele é, mas foi passado de geração em geração na família Dantas. Depois que a família Dantas perdeu tudo, só sobraram a pulseira e esse pingente. A pulseira eu já dei como presente de casamento para a mãe da Melina Barbosa. Agora, esse é pra você.
Mary Chan não conseguiu tirar os olhos do pingente na mão da avó. O brilho da jade era intenso, a cor verde vívida e nobre, com um toque envelhecido pelo tempo que nenhuma outra pedra tinha.
Foi paixão à primeira vista.
— É valioso demais, eu não posso aceitar — disse Mary Chan.
A avó respondeu:
— É um presente meu para a nora. Pode ficar tranquila e aceitar.
Depois, completou:
— Olha, eu admito que não sou muito boa com palavras. Às vezes falo meio torto, mas minhas intenções são sempre boas. Se algum dia você ficar chateada comigo, só me falar. Eu prometo que vou tentar mudar.

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