Ainda ameaçaram dizendo que, se chamassem a polícia e irritassem Melina Barbosa e seu genro, acabariam arrumando uma bela dor de cabeça!
Como ninguém tinha entendido direito a situação de Roberto Barbosa, resolveram deixar que Sheila trouxesse o homem até ali.
— Com licença, Srta. Barbosa, ele é mesmo seu pai? — perguntou Sheila.
Melina Barbosa respondeu, séria:
— Não conheço. Vocês nem entenderam direito o que está acontecendo e já trouxeram esse homem para cá, não acham isso um pouco demais?
Sheila, apressada, retrucou:
— Me perdoe, foi uma falha minha no trabalho, peço desculpas.
Roberto Barbosa começou a perder o controle. Gritou para Melina Barbosa:
— Meli, eu sou seu pai! Como pode falar assim? Tentei contato com você esses dias, você não respondeu. Eu não tive escolha, por isso...
— Meli, saia da frente.
De repente, a voz da avó soou atrás deles.
Melina Barbosa e Gustavo Ferreira instintivamente se afastaram, e antes que qualquer um pudesse reagir, a avó despejou um balde de alguma coisa na cabeça de Roberto Barbosa.
Roberto Barbosa ficou completamente perplexo, demorou alguns segundos para processar o que tinha acontecido.
Um cheiro insuportável invadiu suas narinas, como se tivesse engolido uma tonelada de lixo!
— Urgh...
Arrancou o balde da cabeça e, furioso, encarou a avó, gritando:
— Sua velha maluca, o que foi que você jogou em mim?!
A avó ergueu as sobrancelhas e respondeu:
— Para lidar com gente do seu tipo, só usando algo à altura! Lixo com lixo, combinação perfeita!
— Sua velha maluca...
Assim que terminou de falar, Roberto Barbosa se deu conta de que estava bem na frente de Gustavo Ferreira e Melina Barbosa.
Sem querer, havia deixado escapar o que realmente pensava.
— Bem... eu estava apenas muito nervoso, só por isso...
Melina Barbosa se virou para Sheila e disse:
— Ele disse que te mandou mensagens. O que ele te escreveu?
Melina Barbosa deu de ombros:
— Sei lá. Já bloqueei ele faz tempo.
— Só de ter libertado ele já foi mais do que suficiente.
Gustavo Ferreira sugeriu:
— Vamos entrar, aqui está impossível de respirar.
— Certo.
Assim que entraram, Melina Barbosa finalmente conseguiu respirar normalmente.
Ela perguntou à avó:
— Vó, o que tinha naquele balde? De onde veio aquele cheiro horrível?
A avó sorriu, um pouco sem jeito:
— Eram vísceras de peixe. Ouvi dizer que, depois de fermentadas, são ótimas para adubar plantas, ficam lindas. Por isso, quando fui à feira, pedi para o vendedor guardar um pouco pra mim. Mas eu deixo sempre do lado de fora, na varanda do último andar, assim não incomoda ninguém. Usar aquilo em gente desse tipo, sinceramente, é um desperdício.

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