— Não — respondeu Sheila. — Aquela vagabunda é muito cautelosa. No último momento, ela recuou, me empurrou e correu para se esconder no quarto.
— Aquela vagabunda, tão prudente! — disse a mulher, com frieza. — Não se preocupe, por hoje é só. Se a pressionarmos demais, ela pode reagir mal.
— Certo, eu também penso assim — concordou Sheila.
...
No dia seguinte, ao saírem, Melina Barbosa e Gustavo Ferreira deram de cara com Yasmin Cavalcanti, que também estava de partida.
Yasmin lançou um olhar rápido para Gustavo e seguiu seu caminho.
Melina notou que o rosto de Yasmin estava pálido, e ela parecia muito cansada.
Melina e Gustavo já haviam saído mais cedo de propósito, mas não esperavam que ela também saísse tão cedo.
— Se você não gosta de encontrá-la com frequência, podemos nos mudar — disse Gustavo a Melina.
Aquele era o lar deles, e Gustavo queria que Melina se sentisse confortável, sem precisar se preocupar com o olhar de ninguém.
— Meus pais reformaram a casa ao lado da antiga residência da família — continuou Gustavo. — A ideia é que nos mudemos para lá. Teremos nossa própria casa, sem incomodar ninguém, mas por estarmos perto, qualquer ajuda que precisarmos, é só pedir.
— Além disso, a antiga residência fica no centro da cidade, o que é mais conveniente, perto de tudo.
— Parece ótimo — disse Melina. — A casa lá é maior. Quando o bebê nascer, terá mais espaço para brincar.
— Certo. Já que você concorda, vou avisá-los. Pedirei para que te enviem o contato do arquiteto pelo WhatsApp. Você o adiciona e discute suas ideias com ele — disse Gustavo.
— Do ponto de vista científico, a prata tem a maior condutividade elétrica de todos os metais, com um IACS de cem por cento, seguida pelo cobre, com noventa e sete por cento. O ouro tem apenas setenta e um por cento — explicou ele.
Sofia torceu os lábios. Ela pensou que nunca mais faria esse tipo de pergunta a um homem de exatas, pois isso só lhe daria dor de cabeça.
Na verdade, Gustavo poderia ter simplesmente dito que não, não havia necessidade de dar tantos detalhes. Ela não estava interessada na ciência, apenas na curiosidade.
— Certo, certo, você não precisa explicar tanto para ela, ela não quer ouvir — disse Melina. — Basta dizer a ela que não usamos fios de ouro, que usamos fios de cobre como todo mundo, só que de melhor qualidade.
— Isso mesmo, isso mesmo, amiga, você me entende.
— Entendido. Da próxima vez, já sei — disse Gustavo.
Melina espiou por trás de Gustavo, trocou um olhar com Sofia e não pôde deixar de mostrar a língua, em cumplicidade.

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