Entrar Via

Armadilha Para uma Noiva em Fuga romance Capítulo 6

Na manhã seguinte, Natália estava diante do portão de ferro do convento que também servia como internato. O coração batia descompassado. Não podia negar: estava nervosa, quase em pânico. O carro que viria buscar Cecília estava atrasado, e a cada minuto parecia uma eternidade.

Olhou para o relógio no celular e suspirou.

“O que estou fazendo aqui? Ainda dá tempo de fugir…” — pensou, mordendo o lábio inferior.

O sol forte refletia no vestido bege elegante que vestia, e a obrigava a ajeitar a peruca de cabelos negros vez ou outra. Os óculos escuros escondiam sua apreensão, mas a bolsa grande, nada elegante, destoava completamente das malas caras ao seu lado.

Estava prestes a mandar mensagem para Cecília, confirmando o horário, quando um carro preto de luxo com vidros escuros, aproximou-se lentamente. O estômago de Natália revirou. Agora não havia mais volta. Respirou fundo, ergueu o queixo com altivez e vestiu o papel que precisava interpretar.

O veículo parou diante dela. O motorista desceu, abriu a porta traseira e, de dentro, surgiu um homem que a encarava de forma inquisidora.

Cecília havia dito que Carlos era um homem mais jovem que o senhor Fernando, mas não disse nada que era extremamente belo e charmoso. O homem deveria estar na casa dos trinta e cinco anos, no máximo. Era alto, de ombros largos, porte atlético. Os olhos e cabelos negros contrastavam com a pele levemente bronzeada. O rosto aristocrático, marcado por traços fortes, parecia saído de uma escultura clássica.

Natália engoliu em seco quando ele começou a caminhar em sua direção, passos firmes e seguros, como se cada movimento fosse calculado.

— Senhorita… — disse ele com uma voz grave e calma, que soava quase como um sussurro sedutor. Um sorriso discreto, porém marcante, surgiu em seus lábios. — Como vai?

Natália ergueu o queixo um pouco mais, tentando não demonstrar o impacto que sentiu.

— Está atrasado, senhor Carlos Monteiro de Albuquerque. — respondeu em tom frio e indignado.

Por um instante, os olhos dele brilharam com surpresa, como se não esperasse aquela reação. Talvez esperasse uma mulher submissa.

— Peço desculpas, senhorita Cecília Braga. — disse após uma breve pausa, inclinando levemente a cabeça, e então acrescentou com um sorriso insinuante: — Tive alguns imprevistos e peço desculpas. Não deveria deixar uma dama tão bela e encantadora à minha espera.

Natália estreitou os olhos por trás dos óculos escuros. Ousadia demais para alguém que deveria apenas buscá-la. “o senhor Fernando só pode estar louco em confiar nesse homem tão belo e atraente e ainda por cima com ar tão sedutor para buscar a noiva…”

— Senhor Carlos, espero que lembre de tratar-me com a devida consideração. — retrucou, seca.

Ele arqueou uma sobrancelha e a encarou, divertido.

— Com certeza, senhorita Cecília Braga. Afinal, estamos falando da noiva do senhor Fernando Alcântara de Albuquerque… sem dúvida, o homem mais afortunado do Brasil. — Ele estendeu a mão. — Posso chamá-la de Cecília?

Natália colocou a mão na dele com hesitação, e, em vez de um aperto formal, sentiu os dedos dele acariciar suavemente sua pele e se inclinar roçando de leve os lábios em sua mão, num gesto inesperadamente íntimo e sedutor. Um arrepio percorreu-lhe o corpo, como uma descarga elétrica. Rapidamente, fingiu-se ofendida e puxou a mão.

— Não lhe darei tal intimidade, senhor Carlos. E espero não precisar informar ao senhor Fernando sobre seu comportamento inadequado.

Carlos sorriu, sem perder a compostura.

— Peço desculpas pelo meu atrevimento… — disse com uma calma desconcertante. — Prometo me comportar. Ou ao menos… tentar.

Ele fez sinal para o motorista recolher as malas e, em seguida, estendeu a mão para pegar a bolsa que Natália carregava.

— Deixe-me ajudá-la com isso também.

— Não! Não precisa. — O protesto saiu mais veemente do que ela pretendia. — Aqui tenho pertences pessoais que posso precisar durante a viagem.

Carlos inclinou a cabeça, estudando-a.

— Devo admitir… essa bolsa não combina em nada com a senhorita. Nem de longe é tão elegante quanto suas roupas.

— Talvez ele nunca tenha me conhecido de verdade.

Os olhos negros de Carlos brilharam, divertidos.

— Ou talvez a senhorita seja mais interessante do que ele imaginava.

Natália inspirou fundo, mantendo a postura ereta.

— Senhor Carlos, seria melhor que não confundisse seus deveres com… outra coisa.

Ele inclinou-se levemente, reduzindo a distância entre eles. Seu sorriso era provocador, mas seus olhos tinham algo enigmático.

— Deveres? Ora, minha missão é simples: garantir que a noiva do meu primo chegue em segurança. — fez uma pausa calculada. — Mas ninguém disse que eu não poderia apreciar a companhia.

Ela sentiu a respiração acelerar. O disfarce precisava se manter intacto. Forçou-se a sorrir com desdém.

— Aprecio sua franqueza, mas prefiro que limite suas palavras à viagem.

Carlos recostou-se no banco com elegância.

— Como quiser, senhorita Braga. Mas… não prometo que o silêncio seja uma opção. — fez questão de olhá-la de cima a baixo, lentamente, antes de desviar o olhar para a frente.

Natália estremeceu por dentro, algo lhe dizia que aquela viagem não seria tranquila como imaginava. Carlos com certeza despertava nela algo que não conseguia decifrar.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Armadilha Para uma Noiva em Fuga