Ponto de vista do Bastien
"Do que di*bos você está falando?" Silvo.
"Ei, eu também fiquei surpreso." Rafe responde sarcasticamente. "Pensei que você finalmente estava pronto para esquecer o passado, mas pelo que parece vocês Nova são tão individualistas e retrógrados quanto sempre achei. Não conseguem nem fazer um funeral sem fazerem um tumulto."
Eu rejeito seus insultos. "Ninguém te convidou, Everhart." Anuncio, rastreando mentalmente os meus executores enquanto eles se movem sem serem percebidos, cercando os nossos agressores por todos os lados.
"Peço desculpas, mas devo discordar." Rafe graceja, puxando um pergaminho em relevo de sua jaqueta e estendendo-o para mim.
Mantendo um olho no Alfa, eu pego o pergaminho e o desenrolo rapidamente, examinando seu conteúdo. Ele é a cópia exata dos convites oficiais enviados para vários bandos e aliados nos últimos dias, e ainda tem a minha assinatura.
Passo-o para Donavon. "Infelizmente, devo dizer-lhe que este convite não é genuíno." Forço as palavras entre dentes cerrados. É verdade que não assinei nenhum convite para o Bando Gemini, mas alguém com certeza tentou semear o caos.
"Tem a sua assinatura aí, Durand." Rafe me lembra com frieza.
"É falsa." Esclareço. "Não preciso lembrar que meu pai foi assassinado. Não é nenhuma surpresa que existam interessados em prejudicar o Bando Nova nesse momento. Infelizmente, parece que você foi um peão no jogo deles."
"Ou um cúmplice." Axel intervém, completamente irritado por não estar no controle.
"Tsk, tsk. Para mim, parece mais que você não tem controle do seu bando." Ele adota um beicinho teatral. "Acho que é isso que acontece quando se deixa um filhote no comando."
"Chega de diplomacia. Me deixe dar uma mordida nesse desgraçado." Resmunga Axel.
Faço isso e dou-lhe exatamente o que quer. Respondo o comentário maldoso.
"Você tem minha palavra de que descobriremos quem enivou isso, e os responsáveis pagarão. Você e seus homens estão livres para partir – por enquanto."
Rafe semicerra os olhos diante do meu tom condescendente, precebendo tardiamente o contra-ataque que montei enquanto conversávamos. A compreensão azeda a sua expressão. Ele até poderia ordenar um ataque agora, mas só se quisesse morrer. Nós os cercamos, e há um homem a um passo de cortar a garganta de cada um deles.
O Alfa do Gemini me oferece um aceno respeitoso, com olhos cheios de malícia. "Até a próxima, Durand."
Não lhe ofereço a mesma cortesia, simplesmente falo o seu nome enquanto ele se afasta. “Everhart.”
Quando tenho certeza de que os lobos do Gemini estão fora de alcance, eu me volto para Donavon. "Envie guardas para segui-los fora do território. Certifique-se de que eles partiram e fique de olho neles. Quero saber se eles se encontrarão com alguém do bando. E descubra de onde diabos nessa terra da Deusa veio esse convite."
Donavon assente ao ouvir as intruções com orgulho, mostrando-me a mesma estima que sempre teve por meu pai. "Sim, Alfa."
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Ponto de vista da Selene
"Isso é ridículo." Contesto. "Eles não podem culpá-lo pelo que aconteceu. O conselho sabe que a morte do Gabriel foi um crime, então também deveriam saber que isso foi planejado – e não incompetência sua."
Bastien anda de um lado para o outro no escritório, abrindo lentamente um buraco no carpete. "O fato é que não previ e não vi os Gemini chegando." Ele reclama, passando a mão pelo cabelo. "Eles estão certos em me questionarem. Eu f*di com tudo."
A indignação me inunda em nome do meu marido. Não é justo que o Conselho de Anciãos o julgue com tanta severidade. "Você estava de luto."
Bastien solta uma risada cansada, parando na minha frente para acariciar a minha bochecha. "Os Alfas não podem se dar ao luxo de se entregarem aos sentimentos pessoais, lobinha. O bando tem que vir primeiro cem por cento das vezes." Suas belas feições parecem ter envelhecido anos na última semana. "Não há desculpa para deixar os inimigos passarem por nossas defesas."
Ponto de vista do Bastien
O rosto assombrado da minha mãe me encara no meio da multidão, seus olhos avermelhados e a pele outrora dourada pálida. De todos os presentes, o interrogatório tem sido mais difícil para ela. No entanto, por mais distorcido que pareça, acho que meus problemas foram bons para ela, pois ajudaram a mantê-la no presente, apoiar-me lhe deu algum propósito em toda essa incerteza.
Não sei se devo me sentir culpado por querer mantê-la aqui sem seu companheiro ou não, mas sei que não estou pronto para perdê-la também. Talvez seja egoísmo da minha parte esperar que ela encontre uma razão para continuar sem o meu pai. Afinal, não tenho certeza se gostaria de viver em um mundo onde Selene não existisse mais.
A dor me ataca nos momentos mais estranhos. Às vezes, parece que nada do que aconteceu na última semana é real, outras, a verdade parece tão avassaladora que não consigo nem respirar.
Agora, enquanto encaro o Conselho de Anciãos, resistindo a horas de perguntas sobre a minha aptidão para governar o bando, não quero nada mais do que voltar no tempo e implorar ao meu pai por conselhos.
"Perdoe-nos Bastien, mas você é Alfa há menos de uma semana e já tivemos um ataque ao território Nova." O mesmo ancião do bando está falando monotonamente há quase uma hora, ainda litigando sobre a invasão do Bando Gemini durante o funeral do meu pai. "É verdade que você neutralizou a ameaça, mas o fato é que aqueles homens nunca deveriam ter atravessado as nossas defesas. Por que o povo de Elysium deveria manter a fé em você como líder, quando foi isso que o seu breve mandato nos concedeu?"
"Prezados membros do conselho..." Começo, sem fazer nenhuma tentativa de conter a autoridade Alfa inata no meu tom. "Não posso negar que a aparição do contingente Gemini no memorial do Alfa foi inesperada e extremamente infeliz."
Viro no mesmo lugar, dirigindo as palavras para o bando reunido. "Eles nunca deveriam ter passado pelas nossas fronteiras, e eu assumo total responsabilidade por esse lapso. No entanto, apesar dos meus melhores esforços, sou apenas um homem. Não consigo prever o futuro e não sou imune à dor."
"Como todos os homens, cometo erros." Admito, voltando a minha atenção para o conselho. "Levo a supervisão de segurança extremamente a sério e planejo fazer tudo ao meu alcance para evitar tais falhas no futuro. Mas não há como negar que estamos sob ameaça. O Alfa foi assassinado no seu próprio escritório, na sua própria casa." Minha mãe estremece com cada palavra, e sou eternamente grato por Selene estar lá para envolvê-la em um abraço.
"E não é apenas uma ameaça para a minha família, é uma ameaça para todo o bando." Rosno. "Quem quer que tenha feito isso entrou no nosso território e achou por bem infligir violência nos níveis mais altos." Vejo pelo canto dos olhos cabeças acenando, dando-me esperança de que as minhas palavras estejam chegando às pessoas, se não ao conselho.
"Quero o melhor para os Nova; sempre quis e sempre vou querer. Portanto, se houver alguém por aí que acredite que pode fazer um trabalho melhor nos defendendo, aceito o seu desafio." Eu estendo os braços e me viro novamente enquanto examino o público reunido. "Se algum de vocês acha que tem o que é preciso para liderar, fale agora. Faça-me merecer o meu lugar, ou prove-se mais digno."
Atrás de mim, o conselho murmura entre si, baixinho demais para eu decifrar suas palavras. Finalmente, o conselheiro-chefe levanta a voz acima do barulho. "Bem, há algum desafiante?"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...