Ponto de vista da Selene
Desde que engravidei tenho dormido a noite toda (e na verdade, boa parte do dia) sem nenhum problema; mas esta noite acordo mais perto do amanhecer do que do anoitecer, sentindo nada fora do normal além de um peso pressionando o colchão perto do meu quadril. Esfrego e pisco os olhos, surpresa ao conseguir de fato ver Bastien na noite escura como breu.
Ele está sentado ao meu lado com os cotovelos apoiados nos joelhos e a cabeça entre as mãos, sem roupa nenhuma, exceto pela boxer. Cada músculo duro e vale de seu corpo poderoso estão expostos. Eu me sento devagar com uma inquietação crescente na barriga.
"Bastien?" Alcanço o ombro dele, colocando a mão na sua pele quente e fazendo carinho, já percebendo o quanto ele precisa de atenção. "O que aconteceu?"
Sua cabeça vira na minha direção, e me deparo com um olhar estranhamente vazio nos seus olhos geralmente tão cheios de vida. "Estou feliz que você não estava lá esta noite." Bastien me diz, rude. "Se é assim que vai ser, quanto mais tempo passarmos separados, melhor."
Retiro a mão abruptamente, sentindo como se ele tivesse me dado um soco no estômago em vez de falar. Puxo os joelhos até o peito, sem saber se devo ficar ou ir embora. Bastien não parece notar que não o estou mais tocando, embora eu não tenha certeza de que ele tenha percebido o contato para começo de conversa.
"Não tenho certeza de quanto mais posso aguentar viver assim." Ele anuncia. "Isto não é... não era para ser assim."
Como sempre, meus olhos me traem e se enchem de lágrimas grandes o suficiente para que o meu marido possa sentir o cheiro. Ele pega a minha mão, e sua boca se contrai em uma careta. "Sinto muito por ter feito você passar por isso."
"Sinto muito também." Fungo, sentindo como se meus pulmões tivessem entrado em colapso no meu peito. "Mais do que você imagina."
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Ponto de vista do Bastien
"O que está te incomodando tanto?" Arabella está de pé na minha porta com o cabelo loiro descolorido preso no topo de sua cabeça em uma coque estranho. A princípio, fico confuso ao vê-la na casa do bando tão tarde, mas logo penso o pior.
"O que foi?" Eu me levanto. "Quem está ferido? O que está acontecendo agora?"
Arabella reage ao meu pânico com uma risada alta. "Honestamente, Bastien, você deveria escrever cartões de felicitações." Ela provoca. "Não está acontecendo nada. Vim ver como você está."
"Oh." Respiro e volto a me sentar na cadeira, olhando para o relógio. "À meia-noite?"
Arabella mostra os dentes brancos e brilhantes. "Eu acabei de sair do bar e vi sua luz acesa." Ela logo muda a expressão para um beicinho. "Você teve algumas semanas realmente difíceis."
"Sim." Concordo. "Tem sido difícil sem o meu pai. Me desculpe por não ter ido mais te visitar. Como você está?"
A Arabella tem se mostrado forte desde o assassinato, como sempre foi, mas o meu pai a criou desde que ela era criança, então imagino a dor que ela deve estar sentindo. Ela encolhe os ombros. "Estou mantendo a cabeça erguida."
"Bella, você sabe que estou aqui se quiser conversar. Certo?" Nós só nos falamos algumas vezes depois do funeral e, na maior parte do tempo, ela só manteve distância, sempre preferindo sofrer sozinha. Foi a mesma coisa na época do Flynn. Mesmo assim, tenho que me perguntar se ela tem alguém em quem realmente confiar.
"Eu sei, Bastien." Ela murmura. "E você sabe que isso vale para os dois lados, certo?"
"Eu não acho que você tem tempo suficiente para isso." Brinco.
"Experimenta..." Ela oferece.
"Bom, você já sabe a maior parte." Resmungo. "O bando me odeia. Minha mãe mal está aguentando. A investigação não está indo a lugar nenhum. Fui muito egoísta depois que o papai morreu e não deixei Selene partir para viver a vida dela e, por isso, agora ela está à mercê do escárnio do bando e em perigo por quem quer que esteja determinado a derrubar a família." As palavras saem da minha boca em um único sopro. "E eu provavelmente desfiz todo o trabalho duro do meu pai em menos de um mês como Alfa."
"Com está a investigação?" Ela cutuca.
"Devagar." Minha voz soa estranha para os meus próprios ouvidos, desprovida da emoção que me consome por dentro. "Os executores sabem como o assassino entrou e sabem que foi um lobo macho, mas além disso?" Dou de ombros. "Se passarem mais algumas semanas sem novidades, vão arquivar o caso."
Arabella se senta indignada. "Tão rápido?"
Pela segunda vez em tantos dias, acordo no meio da noite.
No entanto, desta vez, Bastien não está ao meu lado, e não tenho ideia do que me acordou. Verifico o quarto e, em seguida, o meu corpo, olhando para a minha barriga com curiosidade para ver se a náusea ou a necessidade cada vez mais frequente de fazer xixi vão aparecer.
Nenhum dos dois acontece, mas estou tão acordada agora que acho que não vou conseguir voltar a dormir. Em vez disso, deslizo para fora dos lençóis sedosos e pego o meu roupão no gancho da porta, saindo para a área principal do apartamento.
Não vejo e não ouço nada diferente.
Olho para o relógio, são quase uma da manhã. Bastien ainda deve estar no escritório dele trabalhando - isso ou ele desmaiou em cima do teclado. Com um gemido sonolento, enfio os pés em um par de chinelos e desço as escadas para a casa principal, esperando que ele não fique bravo comigo por interrompê-lo ou acordá-lo.
Depois de tudo o que ele falou depois do festival, sinto que estou pisando em ovos perto dele – algo não muito bom de se sentir na própria casa –, já que, dadas as suas palavras, provavelmente não estarei aqui por muito mais tempo.
Quando me aproximo do segundo andar, vejo a cabeça de um dos guardas despontando na esquina. "Está tudo bem?" Ele pergunta.
"Sim." Sussurro, consciente da porta do quarto de Odette a apenas alguns metros de distância. "O Bastien ainda está trabalhando?"
"Acredito que sim." Ele responde. "A sra. Winters chegou há pouco e está com ele desde então."
Congelo por um momento, mas logo me recupero e respondo. "Obrigada."
Não sei por que continuo descendo as escadas, sei que não encontrarei nada que queira, no máximo, um desgosto. Não que isso seja exatamente uma surpresa, não depois da joalheria, mas nunca os imaginei tendo um caso dentro da minha própria casa.
Meu coração afunda quando me aproximo do escritório de Bastien e ouço as vozes inconfundíveis. Mas pouco antes de entrar no corredor, ouço a porta abrindo, então paro no mesmo lugar e espio pela esquina bem a tempo de ver Arabella dando um beijo na bochecha do meu marido enquanto sai.
Se eu achava que não poderia me machucar mais, estava errada. Vê-los tão felizes juntos, esgueirando-se até mesmo enquanto o mundo parece desmoronar em torno desta família... é demais para suportar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...