Ponto de vista do Bastien
Mal reconheço a minha mãe. Sua pele outrora brilhante está pálida e cinza, seus olhos geralmente brilhantes estão opacos e vidrados, e até mesmo o seu cabelo parece estar perdendo a cor. Ela mal sai do quarto desde que o meu pai morreu, fica na cama o dia todo abraçando o travesseiro dele enquanto chora.
Selene parece estar igualmente preocupada com a saúde dela, pois, por mais distante que tenha estado ultimamente, agora paira ao meu lado do lado de fora do quarto principal e espia preocupada pela fresta da porta.
"Você tem que falar com ela." Ela insiste.
"E dizer o quê?" Respondo, impotente.
Ela me mira com seus olhos de dois tons. "Ela precisa de um motivo para continuar sem o Gabriel." Selene proclama. "Precisa ser lembrada do quanto ela ainda tem que viver."
Minha cabeça balança para frente e para trás. "Ela perdeu tudo."
"Não tudo." Minha esposa diz incisivamente. "Se há uma força nesta terra mais forte do que o amor por um companheiro, é o amor por um filho." Ela me cutuca em direção à porta. "Se o seu propósito como mãe não puder levantá-la, nada o fará."
Coloco a mão sobre o rosto, totalmente desanimado. "Mas ela não quer continuar vivendo."
Selene inclina a cabeça para o lado, e ondas de seus cabelos longos e escuros caem sobre o seu ombro. "É você quem sempre diz que ser um Alfa é dar às pessoas o que elas precisam, mesmo e especialmente quando elas não querem." Ela enfatiza. "A Odette não está no melhor estado de espírito para saber o que quer agora."
Tudo o que ela diz faz sentido, mas nenhuma das suas palavras de encorajamento pode tirar a culpa alojada no meu peito. Isso me algema e paralisa tão completamente quanto qualquer ferro. "Parece egoísta mantê-la aqui quando ela quer estar com ele." Admito, enquanto a ironia da nossa situação me provoca impiedosamente. Eu costumava ter apenas uma mulher para forçar a ficar comigo e, agora, ela mesma está fazendo campanha para que eu faça o mesmo com outra.
"E o que o seu pai teria a dizer sobre isso?" Selene pergunta, sendo uma pouco dura. "Você acha que ele iria querer que você ficasse parado aí, deixando a sua mãe definhar? Você acha que deixá-la sofrer e morrer é de alguma forma mais humano do que ajudá-la a viver, ou que ele te perdoaria por deixá-la partir quando você ainda precisa tanto dela?"
A verdade no seu discurso brilha clara como o dia: o meu pai nunca me perdoaria se eu deixasse a mamãe jogar a vida fora por ele. Ele provavelmente me assombraria até a beira da loucura e me puniria ainda mais quando me juntasse a ele no outro mundo.
Sem dizer mais nada, abro a porta com cuidado e me aproximo da cama sem fazer barulho. "Como você está se sentindo hoje, mãe?"
Ela não responde, em vez disso, enterra o rosto ainda mais no travesseiro para sentir o cheiro do meu pai. Ela franze a testa quando abro as cortinas fechadas, e a luz do sol entra no quarto escuro, mas continua em silêncio.
A minha mãe sempre foi uma força da natureza: forte e composta, intimidadora e equilibrada em igual medida. Vê-la tão deprimida é doloroso, gostaria de ter herdado mais características dela do que as de meu pai. Ela sempre sabe exatamente o que dizer, mesmo nos piores momentos.
"Eu esperava poder convencê-la a vir jantar comigo e a Selene." Proponho gentilmente. Quando ela apenas me lança um olhar vazio em resposta, eu a pressiono. "Tem algumas coisas que eu gostaria de contar, eu... eu preciso da sua ajuda, mãe."
Um lampejo de preocupação aparece no poço oco de dor dos seus olhos, embora ela ainda não fale.
"Eu não sei o que fazer com o bando." Respiro, sentindo um leve peso sair dos meus ombros por simplesmente confessar isso em voz alta. "Sempre pensei que o papai estaria aqui para me orientar quando eu assumisse. Ele me preparou para a guerra, para crises e desastres naturais, mas nunca me preparou para enfrentar tudo sozinho."
Minha garganta aperta. "Tudo parece que está desmoronando." Confesso. "Toda vez que penso ter resolvido um problema, outra coisa aparece e puxa o meu tapete."
"E a dor só vai continuar..." Axel rosna. "Você realmente acha que pode sobreviver se perder a Selene?"
"Agora não." Retruco bravo, sem humor para a pressão contínua do meu lobo para reivindicar a minha companheira antes que ela possa me rejeitar.
Mamãe está sentada agora, encostada em mim emanando um calor reconfortante - embora eu não tenha certeza se essa era a intenção dela ou se ela só está fraca demais para se manter ereta. "Você ajudou o meu pai a liderar o bando por 30 anos." Pego a mão dela e aperto seus dedos ossudos. "Você tem experiência e discernimento, eu não. Por favor, diga que vai me ajudar"
A mão mole sob a minha se contrai, então lentamente se vira para retribuir o meu aperto. "Eu sei o que você está fazendo." Ela me repreende sem convicção. Então abre um soriso trêmulo e acrescenta. "Que tipo de mãe eu seria se não te ajudasse?"
"Uma muito, muito ruim." Eu a provoco.
Um ruído entre um soluço e outro escapa de seus lábios. "Claro que vou te ajudar."
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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...