Ponto de vista do Bastien
Enquanto Aiden e eu colocamos as nossas roupas, ouço o meu telefone tocando no bolso da jaqueta. Pego o celular e vejo uma chamada perdida da Selene, 16 da minha mãe, além da de um número desconhecido.
O pavor que comecei a sentir na encosta do penhasco se transforma repentina e horrivelmente em agonia quando uma fenda intransponível parte o meu coração em dois. Algo profundo nos ossos me diz que Selene está me rejeitando nesse momento.
Eu não sabia o quão profundamente isso me afetaria, pelo menos não em termos da rejeição em si. Eu sabia que perder a minha companheira testaria os limites do meu ser, porém não entendia o quão imediato seria o impacto, mesmo de tal distância. E eu não sei o que aconteceu para ela chegar a esse ponto.
É claro que parti em uma situação mal resolvida, mas por que agora? Será que ela estava me rejeitando só por causa dos meus falsos comentários sobre a prisão domiciliar? Terá sido a gota d'água depois de tantos erros?
Com falta de ar, eu me atrapalho para atender a ligação, a ansiedade vira uma avalanche cega e ensurdecedora de preocupação enquanto levo o telefone ao ouvido. "Alô?"
"Alfa?" É Danvers, que fala com sua voz familiar baixa e moderada.
"Você a encontrou?" Pergunto imediatamente.
"Não, senhor. Não é a srta. Winters." Ele hesita, com certeza lutando para encontrar as palavras certas.
"Então, o que foi?" Eu o incito asperamente, puxando as minhas calças com força.
"Receio que o problema seja com a sra. Durand." Danvers responde com resignação.
Eu congelo, e o pânico volta a percorrer o meu corpo. Nesse momento, Axel já está lutando para sair de novo, mesmo tendo estado no controle apenas alguns momentos antes. "Qual sra. Durand?"
Aiden para de abotoar a camisa e me observa com apreensão.
Danvers pigarreia. "Na verdade, são as duas." Ele diz. "Elas escaparam da casa do bando e foram para o chalé da sua família."
"Elas o quê?!"
"Isso não é tudo, senhor." Ele continua, sério. "Houve um incêndio."
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Luzes vermelhas e azuis piscando camuflam as cinzas do chalé, emolduradas por nuvens de fumaça negra que sobem em espiral das cinzas enquanto bombeiros apagam as brasas com mangueiras de água. Há muitos veículos de emergência para contar: caminhões de bombeiros, ambulâncias e carros de patrulha, todos alinhados na clareira como uma parede.
O cheiro permeia a folha de metal e a fibra de vidro do carro do Aiden, mas, em vez do aroma aconchegante de uma fogueira, é uma mistura suja de plástico, metal e – o mais repugnante – carne, todos queimados. Faíscas laranjas brilhantes flutuam no ar, carregadas pelo vento e brilhando até desaparecerem no ar úmido do outono.
Através da névoa de poluição e luzes ofuscantes, vejo a minha mãe parada ao lado do Danvers envolta em um pesado xale de lã. Posso ouvi-la chorando mesmo a distância, então encontro seus olhos injetados quando sua cabeça se vira na minha direção.
Corro através da chuva de cinzas, surpreso quando minha mãe começa a recuar em vez de se mover para me encontrar. "Só fiquei fora por meia hora." Ela soluça. "Não sei o que aconteceu. Estava tudo bem quando eu saí."
"Onde está Selene?" Eu exijo, ansioso para confortá-la, mas incapaz de me concentrar em qualquer coisa até saber onde a minha companheira está.
"Bastien..." Mamãe engasga, balançando a cabeça enquanto novas lágrimas escorrem de seus cílios.
Meu estômago revira. "Onde ela está?" Repito guturalmente.
Ela torce as mãos, olhando para mim com tanta compaixão que meu coração começa a se partir. Eu sei o que ela está prestes dizer antes que abra a boca. "Não." Eu me afasto, ficando fora de alcance quando ela estende as mãos para mim.
"Bastien." Ela me segue, obstinada mesmo em meio à dor. Ela pega os meus ombros e me abraça antes que eu possa impedi-la. "Eu sinto muito. Ela estava lá dentro."
"Não!" Repito, minha voz um rugido surdo nos meus próprios ouvidos. "Você está errada. Ela não pode, ela não pode estar... eu saberia se ela estivesse morta, eu sentiria isso!" Insisto.
A minha mãe enterra o rosto no meu pescoço, e sinto suas lágrimas quentes e molhadas contra a pele. "Eu sei." Ela lamenta. "Eu sei, querido." Suas mãos pequenas fazem círculos sobre os músculos rígidos das minhas costas. "Mas ela se foi."
"Como você sabe?" Eu me esforço para empurrá-la para longe de mim sem machucá-la. "Existe um corpo? Me mostrem o corpo dela!"
Os braços da minha mãe me envolvem com mais força, me apertando com uma força sobrenatural. "Eles já pegaram..." Ela choraminga. "Está no necrotério."
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A ligação começa com um clique confuso, dissolvendo-se em um rugido estranho e monótono pontuado por lascas de madeira e estalos ocos. "Bas-en." A voz apavorada de Selene corta enquanto ela tenta gritar o meu nome, "Eu-pr... Tem... so... Po- vor!"
Ouço o correio de voz repetidamente no caminho para o escritório do legista, tentando decifrar quaisquer palavras em meio aos sons confusos. Infelizmente, não importa quantas vezes a gravação toque, não consigo entender nada.
Não quero acreditar. Posso ouvir o fogo ao fundo e vi o que sobrou do chalé, mas não consigo imaginar que Selene possa estar morta. Ela estava em apuros, claro, mas isso não significa que ela se foi. Afinal, o telefone dela desligou, então a bateria deve ter acabado e ela pode estar tentando encontrar ajuda neste exato momento, sem conseguir me ligar.
"Ela não está morta." Axel diz pela milésima vez. "Eu saberia."

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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição
Eu simplesmente amei os 4 primeiros capítulos e espero que não demore muito para atualizar os outros...