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Arrependimento após a Rejeição romance Capítulo 77

Ponto de vista da Selene

Não sei quanto tempo se passou desde que chegamos aqui. Sem janelas não tenho como saber se é dia ou noite, e embora pareça que já se passaram horas, o sofrimento sempre faz o tempo passar mais devagar.

Sophie finalmente parou de chorar e está abraçando os joelhos contra o peito, balançando para frente e para trás no chão sem parar. Lamento pela pobre mulher, mas não posso esquecer que ela é parcialmente responsável pela nossa situação. Eu poderia ser mais compreensiva se ela tivesse envolvido apenas a mim, mas colocar a minha filhote em perigo é imperdoável.

Lila está dormindo confortavelmente no meu colo, e estou fazendo o possível para me controlar. Minha cabeça está latejando de estresse e desidratação, e se estivéssemos em qualquer outro lugar, eu ficaria terrivelmente envergonhada com o quão alto meu estômago está roncando. Parece um urso zangado em busca de sangue, mas sei que posso lidar com isso.

Já passei fome antes, então posso passar por isso de novo. Felizmente, a minha filha não teve que passar por essa dificuldade específica - ainda. Acho que não suportaria vê-la definhar como eu no passado, preciso nos tirar daqui antes que isso aconteça.

'Pense.' Insisto na minha mente. 'Tem que haver uma maneira.'

'Ataque o b*stardo.' Luna sugere. 'Me deixe falar com ele!'

'Ele é muito forte.' Eu a lembro. 'Não quero correr o risco de irritá-lo, ele pode retaliar ferindo a Lila.'

Olho desesperadamente para a porta. Se fosse apenas feita de madeira, Luna poderia esmagá-la, mas Martin estava claramente preparado para ter reféns. Barras de ferro foram instaladas na frente do painel de carvalho, e não temos ferramentas para tentar arrombar a fechadura.

Não sei o que fazer e odeio me sentir tão impotente com a vida da minha filhote em jogo. 'Nós vamos encontrar uma maneira de sair disso.' Luna declara. 'Sempre demos um jeito.'

Eu sei que ela está tentando ser positiva, mas o fato é que Luna não estava por perto nas provações mais difíceis da minha vida. Não sobrevivi por habilidade ou inteligência; e também não resolvi os meus problemas.

Escapei de Garrick por sorte. Bastien me salvou da falta de moradia e da fome. Drake me salvou de me afogar e ser agredida. Alguém que nunca consegui identificar me resgatou do incêndio, e estranhas gentis me ajudaram a chegar ao território de Eros quando acordei. Não posso nem levar o crédito por construir a minha vida em Asphodel - tudo foi dado a mim de mão beijada.

Posso até me sentir mais confiante e segura de mim agora que estou mais velha – agora que sou mãe – mas a verdade é que devo a minha sobrevivência a outras pessoas e a acasos do destino. Se tivesse sido deixada por conta própria, já teria morrido havia muito tempo, e estou com medo de que minha sorte finalmente tenha acabado. Nunca vou me perdoar se alguma coisa acontecer com Lila porque nunca aprendi a me defender.

Minha garganta coça de emoção, mas tento afastar esses sentimentos. Não posso desmoronar. Se eu começar a chorar, serei tão inútil quanto Sophie.

Ainda estou me recuperando quando um barulho alto enche o ar, e Martin aparece após abrir a porta do porão e as grossas barras pretas. Ele está com o sorriso de sempre, e seus olhos desdenhosos passam da sua irmã sofredora para mim e Lila.

Meu pulso acelera quando ele desce as escadas, e mil possibilidades correm pela minha mente acerca do que pode acontecer em seguida. Ele está com algo na mão e, ao se aproximar, percebo que é uma seringa.

'Oh Deusa.' Eu penso. 'Isso não é bom.'

'Tem certeza de que não quer que eu o ataque?' Luna me questiona.

Ele vem direto na minha direção, e eu me viro contra a parede, colocando o corpo entre Lila e Martin. "Fique longe de mim." Eu rosno, deixando as presas se estenderem.

"Você não me diz o que fazer. E a menos que queira que eu machuque a sua pirralha, vai calar a boca e se submeter."

"Me submeter a quê?" Eu exijo, apontando para a seringa. "O que é isso?"

"Só uma coisinha para te ajudar a relaxar." Ele afirma com frieza.

"Martin..." Sophie intervém, parecendo não saber o que deseja falar.

"Cale a sua m*ldita boca." Ele troveja, seu temperamento detona só de ser chamado.

Martin começa a se mover na minha direção de novo, e eu balanço a cabeça freneticamente. "Não! Você não vai injetar isso em mim!" Luna está bem na superfície da minha pele, mas não sei como me transformar e segurar Lila ao mesmo tempo.

"Não tem recompensa nenhuma!" Eu explodo, incapaz de suportar isso por mais um segundo. "Foi um estratagema para erradicar traidores como você. Agora, onde elas estão?"

O mesmo shifter que se encolheu diante de Drake agora cai onde está, seus joelhos cedem enquanto ele me observa com um terror miserável. "Se eu te contar, você vai me matar." Ele argumenta com voz rouca.

"E o que você acha que vai acontecer com você se não o fizer?" Eu pergunto ameaçadoramente.

"Vou fazer um acordo com você." Ele oferece, olhando direto para Drake e tremendo como uma folha. "Vou te dar a Selene e a filhote agora, mas você tem que me deixar ir embora, senão a Sophie vai morrer."

Drake parece ter levado um tapa, e mal consigo conter a minha surpresa. Ele e a irmã estavam trabalhando juntos, não estavam?

A cor se esvaiu do rosto do Alfa de Eros. "O que você fez com ela?"

Martin se endireita um pouco, como se estivesse crescendo uma fração da espinha dorsal. "Ela está ilesa, por enquanto." Ele explica. "Mas também está trancada sem saída. A menos que eu volte para libertá-la, morrerá de fome."

"Ela não estava ajudando você?" Resmungo quando Drake não responde.

Martin bufa. "Aquela e*cória inútil mal conseguiu tirar a filhote de um par de velhas megeras sem ser vista e cedeu no segundo em que Selene a confrontou." Ele revira os olhos. "Planejei por semanas, esperei pacientemente pela oportunidade de pegar as Volanas, e ela estragou tudo em minutos."

"Não estou entendendo..." Drake ainda exibe um olhar estranho no rosto: raiva, confusão e medo, tudo de uma vez só. "Como você a convenceu a ajudá-lo?"

"Ah, isso foi obra sua, Alfa." Martin anuncia, presunçoso. "Eu sabia que precisava de um bode expiatório para assumir a responsabilidade pelo sequestro depois de coletar a recompensa, mas não tinha certeza de como convencer Sophie até que você decidiu declarar o seu amor pela c*dela Volana. A minha irmã tende a desmaiar sob coerção física, mas ver você beijar a companheira dele resolveu tudo." Ele explica, acenando para mim com crueldade.

Não tenho certeza do que vem primeiro: a percepção de Drake do que 'coerção física' deve significar, ou a minha, de que o outro Alfa beijou Selene depois que eu a marquei.

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