Entrar Via

Arrependimento após a Rejeição romance Capítulo 78

Ponto de vista do Drake

Eu poderia matar Martin onde ele está.

Atrás de mim, posso ouvir os murmúrios frenéticos dos Betas de Bastien, lembrando ao Alfa que a e*cória ajoelhada diante de mim está tentando nos distrair e nos colocar uns contra os outros. Eles imploram para ele ficar calmo, para não reagir, mas eu mal percebo.

Não me importo de Martin ter contado a Bastien que eu beijei a companheira dele, embora na verdade eu não tenha conseguido fazê-lo. Eu me importo que ele tenha levado Selene e Lila, e me importo especialmente que esteja abusando da irmã. Se tivessem me perguntado esta manhã com quem eu me importava mais, eu teria escolhido inequivocamente Selene. Mas isso foi antes: antes de ouvir o que esse monstro fez com a doce loba com quem cresci, antes de perceber o quão alheio eu devo ter sido para não ter percebido a sua crueldade.

Ninguém merece ser machucado por quem é responsável por ser cuidado, principalmente Sophie. Ela é brilhante e amorosa, ama e é amada por todos que a conhecem. Eu não fazia ideia de que ela sentia algo por mim e nunca a vi como nada além de uma amiga... mas saber que ela está em perigo mudou tudo.

É uma coisa estranha não perceber o quão importante alguém é para você até estar diante da possibilidade de perdê-lo. No entanto, é exatamente isso que está acontecendo agora. Acho que não passei mais de uma semana sem ver Sophie desde pequeno, e a ideia de nunca mais vê-la me dá vontade de partir o mundo em dois.

Eu daria qualquer coisa para massacrar Martin como o porco que é, mas não posso. Não até que Selene e Lila sejam encontradas, e não até que Sophie esteja segura.

"Onde ela está?"

________________

Ponto de vista do Bastien

Aiden e Donavon ainda estão murmurando no meu ouvido enquanto Drake rosna para Martin, exigindo saber o paradeiro da sua irmã.

Mais do que qualquer outra coisa, ver como ele está chateado por causa da outra loba acalma o meu temperamento. Quando tudo isso acabar, pretendo conversar com ele e com a minha companheira sobre o que aconteceu, mas agora não é o momento.

"Vou lhe dizer assim que estiver fora do território." Martin responde.

"Você vai me dizer agora." Drake comanda, com mais força do que eu já testemunhei antes.

"É Sophie ou as Volanas." Martin contra-ataca maliciosamente. "Você escolhe quem vem primeiro."

Drake olha para mim com raiva e desespero, e eu tento enviar a ele uma mensagem silenciosa usando apenas o contato visual. Preciso que ele confie em mim e não interfira. Não quero uma loba inocente morrendo de fome e jamais a abandonaria dessa maneira. Drake tem que entender isso para o meu plano funcionar.

Não tenho certeza se consegui quando começo a me mover em direção a Martin, mas não posso arriscar estender o contato ainda mais e entregar o jogo. Circulo o sequestrador caído e avanço, fechando as mãos em volta da sua cabeça e cavando o joelho na sua coluna para mantê-lo imóvel. Nesta posição, eu poderia quebrar o pescoço dele com apenas um movimento do pulso, e ele sabe disso.

"Eu não dou a mínima para a sua irmã." Eu sussurro em seu ouvido. "Eu me importo com a minha companheira e sei que ela está aqui em algum lugar, então não preciso mantê-lo vivo. Assim que você morrer, posso seguir o cheiro dela e trazê-la de volta em minutos. A única razão pela qual você ainda não está acabado é por causa dele." Eu empurro a sua cabeça em direção a Drake, apreciando o gemido abafado que se aloja na sua garganta.

"Mas cansei de esperar." Eu minto. "Você tem cinco segundos para nos dizer onde Sophie está. Se o fizer, pelo menos lhe daremos a chance de correr. Fique quieto, e simplesmente quebrarei o seu pescoço fraco agora e evitarei o incômodo de persegui-lo. Não perderei nada se a sua cúmplice morrer com você."

As narinas de Drake se dilatam, e suas mãos se fecham em punhos. "Não era esse o acordo!" Ele se opõe, entendendo e desempenhando o seu papel.

"F*da-se o acordo." Eu respondo com selvageria. "Isso já durou mais que o suficiente."

Aplicando uma leve pressão, começo a virar a cabeça de Martin para me preparar para o estalo, e o lobo vil cai como um patinho. "Ela está em uma cabana no vale central!" Ele exclama, falando o endereço. Então, o Beta de Drake imediatamente volta para o carro e parte, sem dúvida indo para o local.

"E onde estão a minha companheira e a filhote?" Eu pressiono, mantendo a forte pressão nos ossos. "No porta malas!" Ele grita. "Elas estão no porta-malas!"

Eu o deixo cair como um saco de tijolos e aceno para Aiden assumir enquanto me movo em direção ao carro. Ouço Martin tentando rastejar para longe na terra, até começar a dar inconfundíveis gritos de indignação quando Aiden pisa na sua espinha, prendendo-o no lugar.

Arranco a tampa do porta-malas do carro e a jogo para o lado, enfiando a mão dentro para recolher as duas fêmeas dormindo de dentro. Elas foram amarradas e amordaçadas, mesmo estando inconscientes. Já estou contando os minutos até que o Beta de Drake ligue para confirmar a segurança de Sophie.

Vou gostar de matar Martin quase tanto quanto gostei de matar Garrick.

Arranco as cordas de Selene e Lila e embalo as duas, carregando-as para o carro de Drake e acomodando-me junto a elas no banco de trás. Enquanto tento reanimá-las, Aiden segue as minhas instruções mentais e continua interrogando Martin. "O que você deu a elas?"

"Nada!" Martin insiste, desesperado.

Selene está respirando com facilidade, mas o pulso de Lila está muito lento, e sua pele está pálida. Não gosto da aparência dela e tenho muito medo de que algo esteja errado.

Não sei como ele nos encontrou, a última coisa de que me lembro é de Martin me injetando um líquido com a seringa. Parece até impossível que estejamos seguras. Mas Bastien está aqui, então eu sei que estamos.

O belo rosto do meu companheiro está me observando atentamente, com a testa franzida de preocupação. Suas feições se suavizam brevemente quando ele vê meus olhos abertos, mas mesmo quando me dá as boas-vindas ao mundo desperto, a tensão não deixa seu corpo. "Olá, lobinha."

"O que aconteceu?" Pergunto com voz rouca. "Onde está Lila?"

Logo percebo que estamos nos movendo, amontoados na parte de trás de um carro com o mundo zunindo em uma velocidade vertiginosa. E Bastien está profundamente carrancudo. "Martin era o informante." Ele explica, sério, virando a cabeça em direção ao seu outro braço. "Lila está aqui." Meus olhos pousam na minha filhote, e o gelo inunda as minhas veias.

Por que ela está desse jeito?

"Estamos a caminho do hospital, querida." Bastien explica. "Ele deu starlight para vocês."

Tudo ainda está muito nebuloso; uma espessa névoa encobre os meus sentidos, retardando o meu cérebro. "O quê?"

"Starlight." Ele repete, acariciando a minha bochecha. "Lila está tendo uma reação alérgica, mas estamos quase no hospital."

A compreensão chega muito lentamente. No ano passado, Lila foi picada por uma abelha, e sua mãozinha ficou do tamanho de um melão. Foi necessária uma dose maciça de esteróides para neutralizar a reação, e decidi fazer com que ela fosse testada para outras alergias.

Além de abelhas e vespas, houve apenas uma outra substância que deu resultado positivo no teste: starlight. Os médicos disseram a Drake e a mim que se ela injetasse a droga, poderia morrer.

"Não." Eu sussurro em pânico, tentando me mover e percebendo que meu corpo ainda está profundamente sob a influência da dr*ga. Não consigo fazer os meus membros funcionarem. "Dê ela para mim." Eu imploro, com lágrimas brotando nos olhos.

Bastien faz isso na mesma hora, colocando-a no meu peito e segurando-a firme. "Está tudo bem, querida, vamos conseguir ajuda."

Eu encaro o seu rostinho doce com um medo diferente de tudo que eu já experimentei me consumindo. Não está tudo bem. Mesmo que cheguemos ao hospital a tempo, há apenas um antídoto para alergias à starlight. Os médicos se ofereceram para preparar uma dose de emergência para nós quando ela testou positivo – caso um dia ela precisasse – mas não foi possível na época.

O antídoto requer sangue de ambos os pais, e só tínhamos o meu. Mas Bastien está aqui agora, então podemos ter tempo para eles prepararem a cura. Não há como evitar agora, vou ter que contar a verdade ao meu companheiro: Lila é filha dele.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Arrependimento após a Rejeição