O tom era educado, mas o significado era óbvio — o que vocês estão fazendo no departamento de obstetrícia? Vão ao médico se precisarem, mas não fiquem aqui estorvando.
Giovana estava tão irritada que seus lábios tremiam. Os golpes que recebera o dia todo — começando sendo alvo de piadas no Baile das Camélias, depois descobrindo a nova gravidez de Berta e agora sendo ridicularizada em público no hospital pela ex-nora — fizeram toda sua raiva borbulhar de uma vez.
— Você acha que eu queria vir para a maternidade?! — a voz dela subiu de tom. — Se não fosse uma certa desavergonhada carregando uma criança indevida, acha que eu viria num lugar desses?!
Foi quase um grito, que o corredor inteiro ouviu perfeitamente.
O rosto de Adilson estava lívido e ele segurou os braços da mãe com força: — Mãe! Pare com isso!
Roberto Ferreira também endureceu a expressão: — Já chega! Ainda não passamos vergonha o suficiente?!
Mas Giovana já tinha perdido o controle. Ela apontou o dedo para Tereza, a voz tremendo de exaltação: — E você! Tereza Viana! Do que se gaba?! Só porque sabe tratar meia dúzia de doenças? Durante os três anos com a nossa família, você não conseguiu engravidar! Por que está pagando de superior agora?! Vou te dizer uma coisa: a Berta, pelo menos, é capaz de dar à luz, bem melhor do que você, que é estéril—
— MÃE!!!
O urro de Adilson cortou as palavras dela na mesma hora.
Ele a agarrou com tanta força que os dedos ficaram brancos. Aqueles olhos, que sempre foram controlados, agora estavam cobertos de veias vermelhas e uma raiva beirando o desespero.
— Você não vai parar de arrumar problema?! — sua voz estava rouca e assustadora. — Nós estamos no hospital! Acha que já não passamos vergonha que chegue?!
Giovana ficou aterrorizada pela reação inédita do filho; a boca ficou aberta, sem proferir uma sílaba.
O silêncio reinou absoluto pelo corredor.
Todos prendiam a respiração, observando aquele embate inesperado.
Tereza ficou de pé, com o rosto impassível. Porém, observando bem, notava-se que os dedos segurando o tablet estavam rígidos e brancos pela força aplicada.
Alguns segundos depois, ela quebrou o silêncio, a voz era mansa, mas perfeitamente nítida para que todos ouvissem:
— Dr. Thiago, vamos. A paciente nos aguarda.
Ela terminou de falar e virou-se, caminhando rumo ao elevador.
Os passos eram firmes, as costas retas e a ponta do jaleco balançava com o movimento.
Do início ao fim da interação, ela não olhou de volta para a família Ferreira nenhuma vez.
Era como se não passassem de ar.
O Dr. Thiago hesitou por um momento, mas correu para acompanhá-la.

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