Adilson tinha acabado de colocar a mão na maçaneta. Tum! Tum! Tum!
O som abafado de batidas na porta soou novamente. Adilson abriu a porta do apartamento com um puxão brusco, a cabeça doendo pela bebedeira e a ansiedade sem onde descarregar. Com o rosto sombrio, rosnou baixo: — Quem é?! Tão cedo de manhã...
Sua voz parou de repente.
Do lado de fora da porta estava sua mãe, Giovana Alves, em um conjunto Chanel caro e com maquiagem requintada. No entanto, seus olhos, que sempre carregavam um sorriso gracioso, agora estavam frios como gelo, fixos nele com raiva incontrolável e uma expressão que misturava decepção e ansiedade. Meio passo atrás dela estava o velho mordomo da família, Matias, vestindo um terno escuro bem passado, segurando um envelope de papel pardo, com o rosto solene e os olhos levemente baixos.
A fúria de Adilson foi dominada pelo susto instantâneo: — Mãe? Como a senhora veio até aqui? — Ele virou-se subconscientemente de lado, tentando bloquear a cena desarrumada que pudesse restar na sala de estar atrás dele, enquanto um alarme soava em sua cabeça. Como sua mãe saberia que ele estava ali? Ele raramente usava este apartamento e pouquíssimas pessoas o conheciam.
Giovana não tinha a mínima intenção de lhe responder. Ela empurrou o filho, que bloqueava a porta, com tanta força que Adilson, já meio tonto, cambaleou para trás. Ela caminhou direto para a sala de estar em seus saltos altos, que batiam no chão de mármore emitindo um som frio e apressado.
Dentro do apartamento ainda pairava o cheiro de álcool que não tinha evaporado, além de uma atmosfera íntima e inconfundível. As cortinas estavam fechadas, a luz era fraca. No sofá havia um casaco feminino jogado de qualquer jeito (de Berta), e na mesa de centro, copos de vinho vazios e uma garrafa de água caída. Tudo isso caiu nos olhos de Giovana, confirmando, sem dúvida, algumas de suas suspeitas.
— Mãe, ouça a minha explicação... — Adilson a seguiu, tentando segurar o braço da mãe.
Giovana afastou a mão dele bruscamente e se virou, o peito subindo e descendo levemente de raiva. Seu olhar cortou como uma lâmina o rosto abatido do filho e sua camisa amassada, e então varreu toda a sala de estar bagunçada. Por fim, parecia querer perfurar aquela porta bem fechada do quarto principal. Sua voz tremia levemente pela supressão extrema, mas cada palavra era como gelo:
— Explicação? Adilson, o que mais você quer me explicar?! Olhe para o seu estado agora! Olhe para este lugar! Se eu tivesse chegado um passo mais tarde, você estava planejando jogar a cara da Família Ferreira, junto com toda a reputação que seu pai e seu avô acumularam, neste lugar indigno e naquela mulher sem vergonha?!


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa