Era... Tereza Viana?
Ela havia lhe dado algum remédio?
Por quê?!
Se ela não queria se divorciar, por que assinou os papéis com tanta facilidade antes? Se ela o odiava, por que usaria esse tipo de método? Drogar... Um truque tão obscuro e sujo. Seria ela mesma capaz de fazer algo assim?
Dúvidas sem fim e uma dor profunda invadiram seu peito. Ele segurava as fotos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos e as mãos tremeram levemente. Ele não queria acreditar, mas as "provas" estavam bem na sua frente. Será que o silêncio e a indiferença dela ao longo daqueles três anos eram apenas disfarce? Tudo o que aconteceu depois do divórcio, incluindo sua aproximação de Caio Mendes, era só teatro? E o objetivo final era voltar usando um método tão insuportável e, quem sabe, até... engravidar? Ao pensar em um "filho", o coração de Adilson se apertou novamente, e em meio à confusão, surgiu um pânico indescritível e... uma pulsação extremamente fraca e vergonhosa, que ele próprio desprezava? Naquele momento, ele desejava desesperadamente ficar frente a frente com Tereza e perguntar se ela não conseguia abrir mão dele. Se fosse esse o caso, o fato de o drogar, ele poderia perdoá-la, eles poderiam se casar novamente...
— Viu direito? — A voz fria de Giovana o puxou de volta do turbilhão de pensamentos. Seu dedo quase apontava para o rosto de Tereza na foto. — Essa é a boa esposa que você casou e trouxe para casa no passado! A boa filha que Helena educou! Por fora finge ser pura e indiferente ao mundo, mas por dentro é igual à mãe dela, cheia de pensamentos sujos que não podem ver a luz! Não se aquietou nem depois do divórcio e ainda usa esse tipo de método imundo! O que ela quer fazer? Quer entrar na família Ferreira usando a barriga? Eu te digo, Adilson, enquanto eu viver, ela nem deve sonhar com isso!
Matias, de pé ao lado, observava Adilson encarar fixamente as fotos com a cor do rosto oscilando, enquanto ouvia as maldições cada vez mais intensas da senhora, franzindo a testa. Ele estava na família Ferreira há décadas e tinha sua própria maneira de julgar as pessoas. A ex-senhora Tereza sempre passara a imagem de ser quieta, distante, com um olhar claro e firme, não parecendo o tipo de pessoa com planos tão sinistros. Além disso, se ela quisesse mesmo drogá-lo, por que escolheria fazer isso depois do divórcio? Por que num restaurante cheio de pessoas, deixando evidências tão óbvias para trás? O momento e o ângulo em que essas fotos apareceram eram muito convenientes. Convenientes a ponto de levantar suspeitas.
Mas ele era apenas um mordomo. A senhora estava no auge da fúria, o jovem mestre estava claramente abalado, e ele não poderia dizer sua suspeita em voz alta sem nenhuma prova. Podia apenas baixar a cabeça ligeiramente e esconder no fundo dos olhos aquela pontada de dúvida.
— Mãe! Não diga mais nada! — Adilson levantou a cabeça de repente, cortando os insultos cada vez mais insuportáveis da mãe. Sua voz estava rouca e carregada de uma emoção extremamente reprimida. As têmporas latiam. As difamações e insultos cruéis de Giovana contra Tereza e a mãe desta eram como inúmeras agulhas finas espetando sua mente já confusa e dolorida, causando um profundo repúdio, uma impotência e uma dor agudas.

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