— Beatriz, você já marcou o horário? — Ela perguntou em voz baixa.
Do outro lado da linha, Beatriz sorria: — Claro! Quando eu entro em ação, não tem erro. O Vitor ouviu que você tinha tempo para encontrá-lo e aceitou na hora. Amanhã às duas da tarde, no Restaurante Horizon Zenith, no camarote panorâmico do último andar. Ele disse que o lugar é tranquilo e bom para conversar.
Tereza fechou os olhos e esfregou as têmporas: — Obrigada.
— Não precisa agradecer! — Beatriz fez uma pausa. — Vocês são minha melhor amiga e meu sênior, é o mínimo que posso fazer.
Os lábios de Tereza formaram um sorriso muito leve: — Certo, vou desligar, nos falamos outro dia.
Após desligar, ela ficou parada na saída de emergência por mais um tempo.
O céu lá fora estava muito azul, com nuvens flutuando devagar. No jardim do hospital, familiares empurravam pacientes em passeios e crianças corriam atrás de pombos.
O mundo continuava girando, sem parar pelas alegrias ou tristezas de ninguém.
Ela ajeitou o jaleco, empurrou a porta de emergência e entrou no corredor iluminado.
Ao mesmo tempo, em Xangai, na sede do Grupo Mendes.
A sala de reuniões no último andar estava cheia. Caio Mendes sentava-se na cabeceira, com um relatório financeiro aberto à sua frente, batendo os dedos na mesa de forma rítmica.
O sistema de videoconferência estava ligado, dividindo a tela em cinco imagens — Nova York, Londres, Singapura, Tóquio e Sydney. Os responsáveis pelas filiais estrangeiras estavam todos online.
— O crescimento da receita no mercado norteamericano no terceiro trimestre ficou abaixo do esperado. Qual é o motivo? — Caio falou. A voz não era alta, mas cada palavra carregava pressão.
O responsável pela filial de Nova York enxugou o suor: — Sr. Mendes, foi principalmente porque os concorrentes lançaram uma nova linha de produtos, e nós...
— Eu quero soluções, não explicações. — Caio o interrompeu, com o olhar varrendo a tela. — Dou a vocês duas semanas para apresentarem um plano de contra-ataque. Se não conseguirem, vou trocar a equipe.
A sala de reuniões ficou em silêncio, apenas com o zumbido fraco do ar-condicionado.
Renan abriu a porta devagar, caminhou até Caio e curvou-se para sussurrar algumas palavras em seu ouvido.
A expressão de Caio congelou no mesmo instante.
A caneta em sua mão bateu na mesa com um estalo. O som não foi alto, mas no silêncio mortal da sala, soou como um trovão.
Todos prenderam a respiração.
Caio levantou a cabeça devagar, passando o olhar pelos subordinados ao redor da mesa e pelas expressões nervosas na tela de vídeo.
— Inúteis.
Ele falou com a voz fria como gelo: — Um bando de inúteis.
O diretor financeiro quis explicar por instinto, mas a pessoa ao lado puxou sua manga com força.
Caio levantou-se, apoiando as mãos na mesa e inclinando o corpo para a frente, com uma postura de um leopardo prestes a atacar a sua presa: — Relatório do terceiro trimestre, três das cinco regiões falharam. O progresso de desenvolvimento de novos produtos está atrasado em dois meses. O acidente de segurança na fábrica do Sudeste Asiático ainda não foi resolvido.
Ele listou os problemas um por um. A cada frase, a pressão na sala diminuía.
— Eu contratei vocês para não fazerem nada? — A voz de Caio subiu de repente, e seu olhar era afiado como uma faca. — A empresa paga salários de sete dígitos todos os anos para vocês me mostrarem esses resultados?!
Ninguém ousou falar.

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