Hotel Shangri-La.
No restaurante, a luz do sol entrava pelas janelas do chão ao teto.
Adilson Ferreira e Berta Ramos estavam sentados frente a frente, tomando café da manhã.
Berta Ramos cortava o ovo frito no prato com movimentos elegantes.
— Adilson, — ela começou, com a voz suave, — tenho algumas coisas para fazer durante o dia hoje, talvez só volte à noite.
Adilson Ferreira levantou a cabeça e olhou para ela.
— O que foi?
Berta Ramos sorriu: — Tem algumas coisas no teatro, preciso ir lá.
Adilson Ferreira assentiu e não disse nada.
Ele abaixou a cabeça e continuou a comer.
Berta Ramos olhou para a atitude indiferente dele e sentiu um gosto amargo no coração.
Mas ela ainda mantinha um sorriso gentil no rosto.
— À noite eu volto para jantar com você.
Adilson Ferreira nem levantou a cabeça.
— Não precisa.
Apenas duas palavras, sem nenhum sentimento, como água sem sabor.
Berta Ramos hesitou por um momento.
Ela olhou para aquele rosto sem expressão, queria dizer algo, mas não conseguiu dizer nada.
Ela largou os talheres e se levantou.
— Então eu vou indo.
Ela caminhou até ele, inclinou-se e tentou dar um beijo em seu rosto.
Adilson Ferreira virou o rosto.
Aquele beijo caiu no ar.
Berta Ramos congelou por um segundo.
Mas ela rapidamente ajustou sua expressão, sorriu, virou-se e saiu.
O som dos saltos altos se afastou gradualmente.
Adilson Ferreira continuou sentado ali, comendo seu café da manhã.
Mas seu olhar caiu na direção em que Berta Ramos havia saído.
Naquele olhar, não havia calor.
Quando ela falou agora pouco, o olhar dela vacilou.
Ela estava mentindo.
Adilson Ferreira pegou o celular e discou um número.
— Marcos Lima.
— Sr. Ferreira?
— Providencie alguém para ficar de olho em Berta Ramos hoje. — Ele disse, com a voz muito fraca. — Veja aonde ela vai e com quem se encontra.
Marcos Lima hesitou por um momento, mas logo respondeu:
— Sim.
Adilson Ferreira desligou o telefone.
Ele pegou o café e tomou um gole.
O café estava muito amargo.
Mas os cantos de sua boca se curvaram.
Naquela curva, não havia calor.
—
Na porta do restaurante.
Berta Ramos saiu com a bolsa no braço, passos apressados. Ela olhou para trás na direção do restaurante, Adilson Ferreira ainda estava sentado no mesmo lugar, olhando para o celular, sem nem levantar a cabeça.
Seus dedos se apertaram levemente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa