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As Múltiplas Identidades Secretas Da Ex-esposa romance Capítulo 398

As ruas de Paris brilhavam com uma luz preguiçosa sob o sol da tarde.

Berta Ramos estava sentada no banco de trás do táxi, encostada na janela, parecendo ter sido esvaziada. A dor no pescoço vinha em ondas, lembrando-a do que tinha acabado de acontecer.

O motorista era um francês de mais de cinquenta anos, com um bigodinho, e olhou para ela várias vezes pelo espelho retrovisor.

— Senhora, — ele finalmente falou, com um forte sotaque francês, — o tempo está ótimo hoje, perfeito para um encontro, não é?

Berta Ramos hesitou por um momento, sem reagir.

O motorista sorriu, e naquele sorriso havia o romance e a ambiguidade típicos dos franceses.

— Eu vi a senhora saindo daquele prédio agora pouco, — ele disse, com um tom leve, — os seus passos estavam um pouco trôpegos e o rosto estava avermelhado. Com certeza você veio encontrar o namorado, não é?

O rosto de Berta Ramos mudou.

Ela abriu a boca para explicar, mas não sabia o que dizer.

O motorista continuou: — Os homens franceses entendem, o amor é assim mesmo. Minha esposa, estamos juntos há trinta anos, e toda vez que a vejo, meu coração ainda acelera como se eu tivesse vinte anos.

Ele fez uma pausa, olhou para ela pelo espelho retrovisor, e seu olhar caiu no pescoço dela.

— Mas senhora, — ele disse sorrindo, — da próxima vez pode pedir para o namorado ser um pouco mais gentil. Aqui...

Ele apontou para o próprio pescoço.

Berta Ramos congelou.

Ela instintivamente levou a mão ao pescoço, e as pontas dos dedos tocaram um pedaço de pele áspera.

Doía ali.

Ela abriu a bolsa de repente e pegou o espelho de maquiagem.

No espelho, seu rosto estava pálido e os olhos vermelhos e inchados.

O mais chamativo era aquela marca vermelha no pescoço — estendendo-se da mandíbula até a clavícula, excepcionalmente visível na pele clara.

Era a marca deixada pelos dedos que o haviam apertado com força.

Tão clara que ofuscava os olhos.

A mão de Berta Ramos começou a tremer.

O espelho quase escorregou de sua mão.

Ela se lembrou das palavras do motorista agora pouco — "Com certeza foi ver o namorado, certo?", "pode pedir para o namorado ser um pouco mais gentil".

Naquele momento, aquelas palavras soavam como puro sarcasmo para ela.

Ela fechou o espelho de maquiagem bruscamente, as unhas cravando na palma da mão.

Aquele homem.

Aquele homem maldito.

Ela realmente queria matá-lo com as próprias mãos.

— Senhora? — A voz do motorista veio da frente. — A senhora está bem?

Berta Ramos respirou fundo, tentando manter a voz firme.

— Tem algum lugar que venda cachecóis aqui na frente? Por favor, pare.

O motorista assentiu.

— Claro, tem uma loja logo à frente.

—

Cinco minutos depois, o táxi parou em frente a uma boutique.

Berta Ramos entrou rapidamente e escolheu um lenço de seda qualquer. Rosa claro, de seda, exatamente para cobrir as marcas no pescoço.

Ela não tinha ânimo para escolher o modelo, apenas pagou diretamente.

De volta ao carro, ela amarrou o lenço e olhou no espelho.

As marcas estavam cobertas.

Mas o ódio em seu coração não podia ser coberto.

O carro continuou em frente.

Berta Ramos encostou-se no banco e fechou os olhos.

Sua mente estava cheia das imagens de agora pouco —

A mão de Leon apertando seu pescoço, aquela sensação de asfixia, aquele rosto sarcástico enquanto ele fumava.

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