A dor aguda superou temporariamente o calor e a tontura que revolviam em seu corpo, dando a ela uma valiosa e breve clareza.
Felipe parou. Ele não esperava que essa mulher fosse tão dura consigo mesma.
Aproveitando aqueles dois segundos de choque, Tereza segurou firme o pequeno canivete ensanguentado com a mão direita e apontou a lâmina para a direção de Felipe. O rosto dela estava pálido como papel, suor frio brotava na testa, mas seus olhos brilhavam com determinação.
— Felipe Ramos — cada palavra parecia espremida por entre os dentes, tremendo de dor, mas anormalmente clara. — Olhe bem o que eu tenho na mão.
Felipe foi intimidado pela expressão desesperada nos olhos dela e parou de andar instintivamente.
— Conheço a anatomia humana melhor que você. — A voz de Tereza era baixa e lenta, como se estivesse apenas declarando um fato. — A artéria carótida fica aqui, a profundidade é de 1,2 a 1,5 centímetros. Se você cortá-la, terá cerca de trinta segundos a um minuto de consciência, vendo seu próprio sangue espirrar, e depois entrará em choque hemorrágico. A artéria femoral fica aqui, um pouco mais profunda, mas o efeito é o mesmo.
Enquanto falava, ela apontou a lâmina no ar, na direção do pescoço e da virilha de Felipe. O movimento tinha uma precisão assustadora, típica de um médico.
— Você... você está louca! — Felipe gritou, tentando parecer durão, e o pomo de adão moveu-se tenso. Ele já tinha ficado com muitas mulheres, não era estranho ao uso da força, mas nunca havia encontrado alguém que se cortasse primeiro e depois segurasse uma faca para analisar com calma como matá-lo mais rápido!
— Louca? — Tereza puxou o canto dos lábios num sorriso sem nenhum calor, que, junto com o rosto pálido e o sangue na perna, era bastante estranho. — Você pode tentar. Vamos ver quem sai vencedor: se você me dominar, ou se eu te neutralizar. — Ela fez uma pausa e completou: — Legítima defesa, ou... erro médico? Tenho inúmeras formas de fazer a ferida parecer um acidente. Quer apostar, Sr. Felipe?
O suor frio escorreu pela testa de Felipe. Ele olhou para a mão de Tereza segurando o canivete; estava incrivelmente firme. O olhar dela estava calmo demais para uma mulher drogada, parecia mais a cirurgiã principal à beira de uma mesa de operação. Aquela crueldade e profissionalismo o fizeram não ter dúvidas de que ela realmente faria isso.


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