— Ah? — Renan ficou surpreso, achando que tinha ouvido errado. — Não vamos mais para o hospital?
— Volte para a empresa. — Caio repetiu, sem emoção na voz.
— Sim. — Renan respondeu na mesma hora, mas suspirou aliviado por dentro.
O sinal abriu, e o carro voltou a andar.
Caio encostou no banco e fechou os olhos.
Mas a mente reprisava sem controle a cena no estacionamento agora há pouco — os olhos frios de Tereza, o tom calmo quando ela disse "não somos nem parceiros casuais", e o olhar de quem vê um paciente quando ele entregou o lenço.
Síndrome de Reset do Limiar Emocional?
Caio puxou os cantos da boca.
Por que ele tinha ficado assim?
Por que disse aquelas coisas de repente? Fez aquelas coisas?
A memória foi puxada para três dias atrás, em Xangai, na velha mansão da família Mendes.
Era uma noite chuvosa, a chuva de outono em Xangai era fina e longa, batendo nas telhas escuras da velha mansão, fazendo um som contínuo.
Quando Caio terminou de lidar com os assuntos complicados da família e saiu do escritório, já eram dez da noite. A velha mansão estava muito silenciosa, apenas algumas arandelas no corredor acesas com uma luz amarelada, alongando muito a sombra dele. Ele planejava voltar direto para o quarto, mas ao passar pela sala, viu o avô ainda sentado no sofá assistindo TV.


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