Observando as costas de Tereza se afastando, Adilson se virou.
A porta do escritório foi aberta com um estrondo violento, batendo pesadamente contra a parede e fazendo um barulho surdo. Até o batente da porta pareceu tremer.
Roberto levantou a cabeça da pilha de documentos, franziu levemente as sobrancelhas e olhou para o filho na porta, cujo peito arfava violentamente e os olhos estavam vermelhos, como uma fera encurralada. Ele não falou imediatamente, apenas tirou os óculos de leitura e limpou lentamente as lentes com a flanela, com o olhar calmo.
— O que está fazendo? — A voz de Roberto não demonstrava alegria nem raiva, mas carregava a autoridade de quem ocupava uma posição elevada.
Adilson ficou na porta, sem entrar nem recuar. Ele apenas encarou o pai fixamente, com os lábios comprimidos em uma linha reta e pálida, a mandíbula tão tensa que a textura dos músculos ficava visível. A raiva represada no peito, a humilhação do confronto com Tereza e uma confusão e uma dor tão fortes que ele mesmo não conseguia compreender se transformaram, naquele instante, numa acusação silenciosa contra o pai à sua frente, que sempre havia controlado o rumo da sua vida.
A calma do pai fazia com que ele se sentisse como alguém que fazia um escândalo sem o menor motivo.
O silêncio se espalhou entre pai e filho, e o ar pareceu se solidificar. Apenas o velho relógio de pêndulo do escritório soltava o seu tiquetaque rítmico, marcando cada segundo no silêncio do ambiente.
Na mente de Adilson, a cena de alguns dias atrás, também naquele escritório, também diante de seu pai, surgiu incontrolavelmente:
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(Lembrança)
Alguns dias atrás, ao entardecer.

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