Bryan sorriu.
"Obrigado, tia, vou tomar cuidado."
Em seguida, olhou para Jennie: "Estou indo."
Talvez fosse a brisa da noite, tão suave, que Jennie, raramente, respondeu: "Se cuida no caminho."
O sorriso de Bryan ficou ainda maior.
Ele até sentiu um pouco de gratidão por Sylvia, que, por obra do destino, acabou deixando ele e Jennie um pouquinho mais próximos.
O carro partiu rapidamente.
Dona Jardim desviou o olhar e encarou Jennie.
Ela estava sorrindo, mas parecia estar debatendo consigo mesma se deveria ou não perguntar o que se passava na cabeça da filha.
Jennie sabia exatamente o que a mãe queria perguntar.
Mas ela mesma não sabia como responder.
Alguém que já tinha sofrido feio por amor e pagado um preço alto, ficava com o coração meio torto.
Queria tentar de novo, mas tinha medo de cair de novo.
Só uma coisa estava clara: a presença de Bryan fazia com que ela não evitasse mais falar de Lucas.
"Mãe, já está tarde e hoje ainda não tratei o mano. Preciso voltar, só não sei se ele já dormiu."
Dona Jardim, ao ouvir Jennie mencionar Nilo, percebeu que a filha não queria falar de Bryan por enquanto.
Ela concordou: "Seu irmão está te esperando."
Jennie assentiu, abraçou o braço de Dona Jardim e foram juntas para a casa.
Ao subir, Nilo realmente estava acordado esperando por ela.
Jennie pediu desculpas primeiro.
"Desculpa, mano, te fiz esperar até essa hora."
"Que isso? Você não me deve nada, mesmo que fosse mais tarde, é meu papel esperar por você."
Nilo era sempre razoável.
Jennie concordou, sem perder mais tempo.
Naquela noite, era a sexta técnica de agulhamento das As Treze Agulhas.
Conforme iam avançando nas técnicas, o desconforto de Nilo aumentava cada vez mais.
Quando a última agulha foi colocada, Nilo sentiu como se suas pernas estivessem pegando fogo, a ponto de querer rolar na cama.
"Mano, está aguentando? Se não der, posso amassar umas folhas de hortelã e passar para aliviar."
Nilo cerrou os punhos e perguntou: "Se usar isso, prejudica o tratamento?"
"Um pouco, mas se não aguentar, pode usar um pouco."
"Então deixa pra lá, eu aguento." Nilo respondeu entre dentes.
Jennie segurou a mão dele.
"Tá bom, eu fico com você. Vamos passar por isso juntos."
Quem suporta as dificuldades, alcança o objetivo.
O processo era doloroso, mas o resultado valia a pena.
E assim ela ficou com ele até o amanhecer.
Quando o céu já clareava, a queimação nas pernas de Nilo finalmente passou e ele caiu num sono profundo.
Duas da tarde, depois que Dona Jardim cochilou, Jennie saiu com Dona Ema para o supermercado do bairro.
Mas lá, comprou apenas duas garrafas de água.
Uma para ela, uma para Dona Ema.
Dona Ema estranhou: "Srta. Jennie, não vai comprar mais nada?"
Jennie balançou a cabeça: "Pensei melhor, o que quero comprar não tem aqui, mas desculpa te incomodar, será que pode ir comigo até o centro?"
Dona Ema não viu problema nenhum.
Jennie então dirigiu até o centro da cidade.
O carro parou em frente a uma loja de produtos naturais chamada Clínica NovaVida.
Jennie e Dona Ema desceram.
Logo um homem de meia-idade veio recebê-las — Celso Ribeiro.
Era justamente o doutor de medicina tradicional que, no café outro dia, "sem querer" tinha desmascarado a falsa gravidez de Amanda Jardim.
Mas, mais do que pelo nome, todos o conheciam pelo apelido "Nove Agulha".
Diziam por aí que Nove Agulha era um médico genial, que não existia doença que ele não curasse com suas nove agulhas.
Claro, isso era um exagero, mas mostrava a fama dele.
Por isso, até Dona Ema o reconheceu.
Só que marcar com o Nove Agulha era quase impossível para uma pessoa comum — imagine para uma empregada?
Mas agora, ele estava ali, todo atencioso, levando Jennie para o andar de cima.
Até Dona Ema percebeu que Nove Agulha tratava Jennie com um respeito fora do comum.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....