Os olhos da Sra. Jardim estavam cheios de surpresa.
"Como assim você já desceu tão rápido? É... não tem cura?"
Jennie balançou a cabeça suavemente.
"Não, é que eu não quero tratar."
Sra. Jardim não era de falar demais, ainda mais fora de casa.
Nem fez mais perguntas, apenas se levantou e saiu com Jennie.
Elas mal tinham saído quando Irena apareceu correndo atrás.
Jennie franziu a testa, mas antes que dissesse qualquer coisa, Sra. Jardim foi ao encontro de Irena com um sorriso radiante.
"Irena, é você?"
Irena era o apelido carinhoso de Irene.
Irena olhou confusa para Sra. Jardim, depois para Jennie.
E Jennie também estava com a mesma expressão de surpresa.
"Vocês são...?"
Sra. Jardim segurou a mão de Jennie, orgulhosa: "Ela é minha filha, filha mesmo."
O olhar de Irena pousou no rosto de Jennie, ainda mais espantada.
Mas, olhando bem, Jennie e Sra. Jardim tinham mesmo olhos parecidos.
Olhos grandes e límpidos como água, só que o olhar de Jennie era um pouco mais frio.
"Não esperava... Srta. Jardim é justamente sua filha desaparecida." Irena logo retomou o fôlego e sorriu: "Parabéns, Sra. Valentina."
Sra. Jardim assentiu, sorrindo, e apresentou para Jennie: "Eu e a mãe da Irena estudamos juntas no passado. As famílias Nunes e Lima sempre foram muito próximas."
Jennie entendeu na hora.
Então, era filha de uma velha amiga.
O mundo era mesmo pequeno.
Pequeno até demais, para o gosto dela.
Sra. Jardim perguntou para Irena: "E quem está doente desta vez...?"
"É meu avô."
"O Sr. Antônio? O que houve com ele?"
Irena suspirou: "Está com paralisia parcial. E ainda por cima tem outros problemas, tudo junto. Agora ele quase não fica mais acordado. Até que o Sr. Bruno nos recomendou a Srta. Jardim..."
Ao dizer isso, Irena lançou para Jennie um olhar complicado.
Sra. Jardim soltou um suspiro.
"Quando a idade chega, é assim mesmo, os problemas aparecem. Mas seu avô tem muita sorte, vai dar tudo certo, vai ver só."
"Obrigada, Sra. Valentina."
Irena então olhou para Jennie e perguntou: "Srta. Jardim, posso falar com você a sós um instante?"
Jennie fechou um pouco a mão.
Ela, claro, não queria.
Mas... Valentina Alves e Sra. Jardim eram conhecidas.
"E eles..."
"Meu ex, enquanto estava comigo, começou a sair com ela. Depois, resolveu terminar comigo e ficou com ela."
Agora fazia sentido.
Nunca tinha visto Jennie olhar para alguém com tanta frieza.
Dois segundos depois, Sra. Jardim segurou a mão de Jennie de repente.
Jennie achou que a mãe ia pedir para ela deixar o passado de lado e tratar doente em nome do bem maior.
Ela já tinha decidido: pelo bem de todos, ia engolir o passado por enquanto.
Mas, ao contrário do que esperava, Sra. Jardim disse: "Jennie, se você não quiser tratar, a gente volta pra casa."
Jennie olhou surpresa.
E ouviu Sra. Jardim continuar: "Isso sempre foi assunto dos mais velhos. Nem queria que você se envolvesse, na verdade. Você já ajudou sua mãe a conquistar o apoio dos Novaes, o Sr. Comandante sabe disso e está muito agradecido. O resto, não precisa se preocupar. Se não quiser tratar, não trataremos."
As palavras de Sra. Jardim foram como uma pena, acariciando o lugar dolorido no coração de Jennie.
Parecia que aquela dor, envolta em carinho, já nem doía tanto.
"Mãe."
Jennie falou: "Talvez eu devesse mesmo deixar o passado pra trás. Fugir é coisa de covarde. Além disso, quem me deve são Irena e Lucas, não o Geraldo."
Os olhos de Sra. Jardim brilharam com lágrimas.
"Jennie, sua mãe já te disse: nada é mais importante que você. Seu pai também pensa assim. Então, não se sacrifique por nossa causa."
Jennie já tinha tomado sua decisão.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....