A expressão de Irena estava muito complicada, e havia um toque de tristeza em meio a toda aquela complexidade.
"Você não pode ajudar. Ela... gosta do meu marido. Na época, nós duas estávamos atrás do Lucas, e ele escolheu a mim, não a ela."
Renan ficou surpreso, mas sentiu um desconforto difícil de explicar.
"Pronto, pode ir cuidar dos seus assuntos. Eu fico aqui cuidando do vovô", disse Irena.
Renan assentiu e saiu.
Irena olhou para a porta sendo fechada e sentou-se devagar ao lado da cama do avô.
O velhinho continuava dormindo profundamente.
A receita que Jennie havia deixado não tinha surtido efeito, o tempo em que o vovô ficava acordado ainda era muito curto.
Isso já era suficiente para provar que a doença dele era algo que Jennie não conseguia curar.
Renan já lhe dissera: se nem Jennie consegue curar, provavelmente ninguém mais conseguiria.
Se era assim...
Irena segurou a mão fina e frágil do avô, chorando silenciosamente.
"Desculpa, vovô."
...
Do outro lado, Jennie desligou o telefone e ligou para o Nove Agulha.
"Fiz tudo como você pediu."
Jennie apenas respondeu um "Uhum" e disse: "Obrigada pelo esforço."
Depois, ela ligou para Alexandre.
A conversa foi praticamente a mesma.
"Está tudo correndo bem, conforme suas orientações."
Jennie confirmou, desligou e foi até o quarto de Nilo.
Ele estava sozinho tentando andar.
Jennie bateu na porta, mas não ouviu resposta.
Achou estranho, estava prestes a abrir a porta quando ela foi puxada por dentro.
Era Nilo quem abria a porta.
Ele tinha ido sozinho da cama até a porta para abrir para Jennie.
Os olhos de Jennie brilharam de alegria, mas ela não parecia assim tão surpresa.
"Mano, você está ainda melhor do que há dois dias."
Nilo assentiu com força.
"Graças a você."
"Faltam só mais dois dias, vamos juntos até o fim."
Nilo esboçou um sorriso confiante, de quem não pretendia perder.
A Dona Jardim também apareceu.
Antes, quando Jennie tratava Nilo, ela só chamava Saulo para ajudar, pois nenhum dos dois queria que Dona Jardim visse Nilo sofrendo durante o tratamento.
Mas o pior já tinha passado, então Jennie concordou que Dona Jardim acompanhasse.
Os três conversavam e riam, como se nem estivessem em um tratamento.
O clima era leve.
Após cerca de dez minutos, Jennie viu Irena saindo da Mansão Martins.
O rosto dela estava pálido, como se estivesse com medo, e as mãos estavam juntas, os lábios se movendo rapidamente.
Jennie sabia ler um pouco de lábios. Irena dizia: "Vovô, por favor, me perdoe."
Passou um brilho de sarcasmo frio pelos olhos de Jennie.
As coisas realmente estavam acontecendo como ela tinha previsto: para atingi-la, Irena seria capaz de agir até contra o Geraldo, que a tratava como filha.
O que ela não entendia era por que, já tendo conseguido o que queria, Irena ainda precisava atacá-la.
No fundo, quem deveria guardar rancor era Jennie, não Irena.
Jennie pensou em Lucas.
Ele era um cara honesto, íntegro... Como foi que se apaixonou por Irena?
Será que Irena sabia fingir tão bem assim?
Ou será que quem fingia era o próprio Lucas, e ele não era nada daquilo que ela lembrava?
Jennie logo parou de pensar nisso.
Já tinha conseguido deixar Lucas para trás em seu coração.
Mesmo que ainda doesse um pouco lembrar dele, não era mais como antes, quando até respirar era difícil.
E, sendo honesta consigo mesma, ela sabia: hoje, estava enfrentando Irena apenas porque Irena a atacou primeiro.
Para ter certeza, ela chegou mais cedo ali.
Assim não correria o risco de machucar um inocente por engano.
Já tinha feito tudo o que podia, então estava de consciência tranquila, sem nada a esconder.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....