Irena resmungou por um instante e logo apareceu um carro.
Ela entrou e foi embora.
Só então Jennie saiu de casa, tirou a máscara do rosto e entrou na Mansão Martins.
Renan já a esperava na sala, e Ivan também estava presente.
O que surpreendeu Jennie foi ver Luna ali.
Ela não falou com Jennie, apenas a acompanhou escada acima.
Jennie percebeu que Luna queria conversar, mas, com tanta gente por perto, não achou apropriado.
Fingindo não notar, Jennie subiu tranquilamente.
Chegando ao quarto do velho senhor, ele ainda dormia profundamente.
Havia, no entanto, uma gota turva de lágrima no canto do olho.
Logo escorreu para o travesseiro, sem deixar vestígios.
Ninguém percebeu, exceto Jennie.
Ela sentou-se no banquinho ao lado da cama, checou o pulso do senhorzinho e começou a interrogar Renan sobre como tinham sido os últimos três dias.
"As receitas que você deixou, eu garanti que fossem seguidas à risca, sempre no horário. Mas..."
Renan hesitou.
Jennie levantou as sobrancelhas e disse: "Mas o quê? Pode falar, não tem estranho aqui."
Só então Renan continuou: "Mas o Geraldo não mostra nenhum sinal de melhora... Será que o remédio estava fraco demais?"
Jennie virou-se para olhar Renan.
Renan achou que ela tinha ficado irritada.
Afinal, ela já tinha ajudado muito a Família Martins, e a saúde do Sr. Bruno ainda dependia dela.
Quando estava prestes a se explicar, Jennie foi mais rápida.
"Não melhorou, mas também não piorou, certo?"
Renan ficou sem palavras.
Jennie prosseguiu: "Antes de o Sr. Geraldo ser trazido pra cá, não era verdade que ele piorava a cada dia?"
Renan ficou assustado por um momento.
"É verdade..."
"Então, o remédio está funcionando, sim."
Não melhorou, mas também não piorou.
Renan, preocupado demais, tinha deixado isso passar.
As famílias Kairós e Fonseca já eram amigas da geração do velho.
Uma sempre envolvida na política, a outra nos negócios, mas sempre com muitos interesses em comum.
Por isso, Renan cuidava do Geraldo como se fosse seu próprio pai.
"É isso mesmo... Fui eu que me confundi." Renan disse.
Jennie respondeu: "Não é culpa sua, preocupação deixa a gente cego mesmo."
Enquanto falava, ela continuou verificando o pulso do senhor.
Ivan interrompeu: "Claro! Meu pai também precisa comer, ir ao banheiro, dormir."
Ivan tinha um certo interesse por Jennie, mas ela nunca lhe deu muita atenção, o que o deixava irritado.
Aproveitou a situação para descontar.
"Cala a boca!" Renan o cortou. "Não é hora de falar! Luna, leve ele pra fora."
"Sim, pai." Luna puxou Ivan pra fora.
Jennie então prosseguiu: "O pulso do senhor está bem bagunçado, mas claramente o envenenamento é recente. Nessa última hora, além de você, quem mais entrou aqui?"
Renan hesitou.
Jennie disse: "Se quiser tirar qualquer suspeita de si, é melhor falar. Você sabe do meu trabalho, então deve saber que meu diagnóstico não falha."
Renan mordeu os lábios e respondeu: "Nessa última hora, só eu e uma cuidadora entramos. Mas essa cuidadora trabalha com meu pai há anos, é muito honesta, e, quando ela estava aqui, eu também estava. Ela não teve chance. Mas..."
"Mas o quê?"
"A Irena também esteve aqui."
"Quando?"
"Dez minutos antes de você chegar, ela ainda estava aqui. E nessa última hora, fiquei o tempo todo na sala esperando por você, não subi."
"Ou seja, só ela teve a oportunidade?"
Renan ficou um tempo calado e disse: "É isso. Mas o Geraldo é avô dela, não faz sentido. Ela não teria motivo nenhum."
Jennie fez uma cara de espanto.
"Isso é estranho. Se não foi ela, só pode ter sido a cuidadora."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....