Diante do grito de Sylvia, Paulo apenas puxou um sorriso descontraído.
"Eu vou embora. Essa semana não vou mais te seguir, o patrão lá em casa está cheio de coisas pra resolver, preciso voltar pra ajudar. Mas se daqui a uma semana você ainda não tiver ido embora, eu volto pra te achar. E aí, não venha reclamar se eu não agir com delicadeza."
Depois de falar isso, Paulo virou as costas e saiu andando.
Sylvia ficou ali, irritada e sem saída, encarando o vulto de Paulo sumindo.
Um empregado, ousando falar assim com ela, que era "a dona da casa"?
Sylvia sempre tratava quem tinha menos status que ela como se nem fossem gente.
Como filha única da família, sempre foi mimada, nunca aprendeu a olhar os outros de igual pra igual.
O jeito de Paulo falar e agir a deixou furiosa.
Mas, no segundo seguinte, a raiva de Sylvia evaporou.
Uma semana era exatamente o tempo que ela precisava pra participar daquele evento.
Sylvia abriu um sorriso.
Apesar de ter ficado irritada, agora que Paulo tinha ido embora, não havia mais ninguém pra ficar de olho nela, ela podia planejar tudo do jeito que quisesse.
Que maravilha!
Sylvia não estava nem um pouco brava, na verdade, até se sentiu sortuda.
Normalmente, se Paulo aparecesse e sumisse assim do nada, ela acharia estranho e ficaria ainda mais desconfiada.
Talvez até desistisse do plano, pra não cair numa armadilha.
Só que hoje, depois de ser provocada duas vezes por Jennie e aquela garota de rosto redondo, sua razão já tinha ido pro espaço.
Só sobrara a determinação de fazer o que planejou.
Enquanto isso, Paulo, logo depois de sair, ligou para Jennie.
"Srta. Jardim, já fiz como a senhora mandou, tirei todo mundo que estava vigiando ela abertamente."
"Obrigada."
"Por nada, o patrão mandou eu seguir todas as suas ordens."
"Então continue vigiando ela de longe, sem que ela perceba."
"Pode deixar."
Jennie desligou, olhou para o banco do carona, onde Cecilia tirava a maquiagem, e perguntou, curiosa:
"Por que não espera chegar em casa pra tirar a maquiagem?"
Cecilia desviou o olhar, gaguejando:
"É que, com maquiagem, meu rosto fica grudando… quanto antes tirar, melhor."
Mas o que ela realmente pensava era: Marcos disse que ela fica mais bonita sem maquiagem.
Talvez estivesse maluca.
Uma frase boba do Marcos, e ela ainda lembrava.
Cecilia não falou a verdade, mas Jennie já tinha sacado o motivo.
Aquela menininha barulhenta estava crescendo, já tinha seus próprios segredos.
Jennie não ficou chateada, na verdade, ficou feliz por ela.
Só que Jennie sempre pensava mais adiante.
O avô de Cecilia era uma pessoa ótima, mas o pai dela era bem interesseiro.
Ele provavelmente não aceitaria Marcos.
A solução teria que vir do avô de Cecilia.
Logo, Jennie teve uma ideia genial pra fazer o avô de Cecilia gostar do Marcos.
Depois de deixar Cecilia de volta no Véus da Morte, Jennie não voltou pra casa direto, foi conversar com Marcos.
"E você e a Cecilia, o que pensa?" Jennie sempre era direta com os seus.
Marcos ficou vermelho na hora.
Aquele cara que costumava falar de tudo, agora mal conseguia abrir a boca, parecia até uma moça tímida.
Marcos se surpreendeu.
"A senhora entende?"
"Sim…"
De repente, Marcos lembrou do que Cecilia tinha dito pra ele.
Olhou surpreso para Jennie e perguntou:
"Chefe, a senhora também gosta de alguém?"
Jennie ficou sem jeito, não esperava que Marcos perguntasse aquilo assim, do nada.
Ela tossiu, disfarçando:
"Agora estamos falando de você, não mude de assunto."
Mas, na verdade, quem mudou de assunto foi ela mesma.
Marcos, então, voltou ao assunto de Cecilia.
"Eu gosto dela, mas sei que não sou suficiente pra ela."
"Sou órfão, sem pai nem mãe, meu único irmão já morreu."
"Ela é diferente. É a filha mais velha da Família Esteves, quando nasceu, já colocaram ações no nome dela. Todo mês ganha milhões, nunca vai passar necessidade."
"Se eu ficar com ela, só vou ser um peso."
"Ela nem sabe o que sinto. E, por favor, não conte pra ela."
Jennie franziu a testa.
"Marcos."
Marcos olhou pra ela, sem entender.
Jennie continuou:
"A Cecilia é incrível, mas você não pode medir se alguém merece outra pessoa só pelo dinheiro. Se fosse por dinheiro... não esqueça, você ficou comigo desde o começo, começamos do zero, e hoje em dia, quanto a gente ganha por mês? Só o troco já é mais que alguns milhões. Você também é incrível."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Aurora Dourada: Fênix
Continua estou gostando da história....