Sou Irina, cheguei em Nova York há poucos meses.
Minha vida nunca foi fácil, mas, depois dos treze… nunca mais foi a mesma.
Perdi meus pais cedo em um acidente e acabei ficando com meu irmão mais velho. Foi ele quem decidiu minha vida dali em diante… Não tive escolha, até o dia que decidi sair da Russia.
Fui levada à força para um abrigo. A única diferença de lá para o inferno… é que no inferno, pelo menos, é quente, o frio da Sibéria não perdoa.
Mas, eu sobrevivi, sobrevivi a tudo, a todos os castigos e trabalho forçado, traições e fugas no meio da noite.
E foi com essa determinação que me trouxe até aqui a América, a tal terra da liberdade e das oportunidades.
Não foi uma viagem fácil, tão pouco bonita. Passei um mês dentro de uma cabine minúscula, escura e a pertada, um homem me trazia um prato de comida uma vez por dia.
O mar… eu só vi uma vez, por uma escotilha pequena, mas aguentei, pois acreditava que, quando chegasse aqui, tudo ia mudar.
Mas parece que não mudou muita coisa…não ainda.
Foi nesse caos, entre fugir e sobreviver, que eu encontrei Amy... e o pai dela.
Mas, antes disso, você precisa entender o que aconteceu na noite anterior a este encontro.
Eu estava indo para casa, quando desci para a plataforma do metrô, o corpo pesado depois de mais um dia de trabalho em dois empregos diferentes.
Eu quase arrastava meus pés de tão cansada então, meu caminho foi bloqueado. Levantei os olhos devagar.
O coração disparou antes mesmo de eu reconhecer. Era ele, o homem que eu havia pago para me tirar da Russia, não entendia o que ele estava fazendo ali, diante de mim.
— Então você achou que podia fugir. Ele disse.
Minha garganta secou, estava confusa, paguei com muito esforço o que ele havia pedido.
— O que você quer?
— Você me deve.
Apertei a bolsa contra o corpo.
— Eu paguei o que você pediu. Por que eu te devo?
Ele inclinou a cabeça, me observando como se estivesse analisando um objeto.
— Loirinha… olha só pra você. Roupas novas. Trabalhando bastante…
O nojo subiu pela minha garganta, mesmo não devendo achei melhor dar o que tinha para me livrar dele. Abri a bolsa com pressa.
— Eu não ganho muito… mas pago o que falta. Quanto é?
Tirei todo o dinheiro que tinha e entreguei.
Ele pegou e na minha frente, contou devagar.
E riu alto.
Primeiro me assustei depois meu estômago afundou.
— Isso? Você está brincando comigo? Não passa de trocados.
— É tudo que eu tenho…
— Seu irmão me deve muito mais.
— Meu irmão? O que eu tenho a ver com ele?
Ele se aproximou ainda mais, baixou a voz.
— Ele nos deve, é umvagabundo. Me ofereceu você como pagamento… então...
O chão sumiu sob meus pés e o ar faltou.
— Isso aqui? Ele ergueu o dinheiro, não é nada perto do que ele me deve.
O desespero me atingiu como um soco.
— Eu não posso pagar a dívida dele! Fique com a casa!
Raiva, dor e vergonha, tudo misturado, mas ele não se moveu.
Só sorriu, como se aquilo já estivesse decidido.
— Seu irmão não tem mais nada… além de você, eu poderia matá-lo…
Ele deu mais um passo.
— …Mas você é melhor que dinheiro.
A mão dele tocou meu rosto, deslizando lentamente de forma suja. Meu corpo inteiro reagiu.
— Não toque em mim!
Subi meu joelho com força, quase que inconsciente e o atingi com força.
Ele se curvou na hora, o ar saindo num som seco, não esperei, só corri.
O trem já estava fechando as portas. Empurrei pessoas.
— Sorry… desculpa… Sai dizendo.
Entrei no último segundo.
A porta bateu. Ele ficou do lado de fora, batendo no vidro.
Mancando e me olhando como se soubesse…
Que aquilo ainda não tinha acabado.
E, no fundo…Eu também sabia.
Encostei a cabeça na parede do vagão, fechei os olhos.
Meu irmão, queria perguntar por quê. Quando foi que deixei de ser família… e virei moeda de troca? O que eu fiz?
De repente, eu ri, incontrolável...Não era alegria, era um riso estranho, cansado.
Algumas pessoas olharam, mas eu não conseguia parar. Era absurdo, eu tinha fugido, de novo.
E, agora, estava sem nada, nem um centavo.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Bilionário Obcecado, Babá em Apuros.