Embora soubesse que todas as escolhas de hoje foram feitas por ele mesmo, Olavo não conseguia evitar a sensação de que todo aquele constrangimento tinha, de alguma forma, a ver com a mulher ao seu lado.
Mas, ele não tinha nenhuma prova concreta. E o pior: toda vez que encarava aqueles olhos, não via sinal algum de malícia. Só restava engolir o orgulho e suportar calado, rangendo os dentes por dentro.
Ele então sorriu com naturalidade para Rosa e comentou:
— Ah, foi só um pequeno episódio. A Tereza se empolgou demais, espero que isso não tenha atrapalhado ninguém.
Rosa respondeu, antes de virar as costas e sair:
— Pois é, se já age assim em casa, imagina em público... Melhor manter a compostura, né? Afinal, aqui todo mundo é gente importante.
No fundo, era um assunto da família deles, e ninguém queria se meter para não atrapalhar o casamento.
Em famílias grandes e poderosas, o que vale mesmo não são os sentimentos, e sim os interesses. Elas podiam até sentir pena de Isadora, mas jamais deixariam que isso interferisse no que realmente importava para elas.
Do outro lado, Rafael já estava numa boa conversa com o presidente do Grupo Vilarte, Gustavo. Com seu talento e currículo, não demorou para garantir um contrato importante no desenvolvimento de novas mídias, isso o colocava no topo do mercado.
Quando saiu da reunião, ouviu um grupo falando mal de Olavo. Aquilo deixou claro para Rafael que as coisas estavam indo bem para Isadora.
Com a taça de vinho na mão, ele procurou e encontrou Isadora sentada no canto, sozinha.
Mesmo assim, era impossível ignorá-la.
Isadora atraía atenção por onde passava. Nem mesmo um cantinho discreto conseguia apagar o brilho que vinha dela. Vários homens mais velhos já tinham tentado se aproximar.

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