Olavo falou com a expressão gelada, soltando um leve resmungo:
— Sim, a Isadora é minha esposa. Então, por favor, tenha respeito!
Rafael, no entanto, nem se incomodou. Só deu de ombros e respondeu com um sorriso maroto:
— Mas que coincidência! Ela foi minha colega na faculdade. Achei que ela fosse solteira, por isso só quis ser gentil e a convidei para dançar. Mas já que o senhor chegou, é claro que meu papel aqui termina.
Ele já tinha conseguido o que queria naquela noite, então não tinha o menor interesse em criar conflito com Olavo, ainda mais em um ambiente como aquele.
As pessoas ao redor começaram a cochichar, apontando discretamente para Olavo.
Ninguém disse nada em voz alta, mas os olhares e os gestos falavam por si só. Eles estavam todos julgando, e sem a menor delicadeza.
Olavo sentiu toda aquela malícia, e o sangue ferveu na hora. Toda a raiva que engoliu ali foi descarregada direto em Isadora:
— Você não consegue passar uma noite sem se exibir, é isso?
— Desculpa, amor...
Isadora respondeu com os olhos baixos, visivelmente constrangida, sem tentar se justificar.
Aquela resposta mansa foi como socar um travesseiro.
Olavo, que estava pronto para explodir, ficou olhando para ela sem acreditar.
Naquele momento, ele percebeu: essa mulher não era nenhuma coelhinha indefesa. Ela era um ouriço, e ele era o único levando as ferroadas.
Com os olhares ao redor ficando cada vez mais incisivos, Olavo finalmente retomou a razão. Já tinha sido humilhado o suficiente naquela noite.
Cerrou os dentes, agarrou a mão de Isadora com força e a puxou sem dizer mais nada, seguindo a passos duros até a sala de descanso reservada para ele.
Assim que entrou, deu um chute na porta e a escancarou. Com um gesto bruto, empurrou Isadora no sofá, e se lançou sobre ela, começando a rasgar a roupa leve que ela usava.
Teria ele perdido completamente o juízo?
O primeiro pensamento de Isadora foi exatamente esse.
Ela nunca imaginou que Olavo, mesmo sob pressão, fosse capaz de fazer algo tão doentio; ainda mais ali, durante um evento social.

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