Embora Olavo não tenha dito nada, o olhar e a expressão dele entregavam tudo o que se passava em sua cabeça.
E foi exatamente essa expressão que causou em Isadora um enjoo tão forte que ela quase vomitou.
Ela empurrou Olavo com força, soltou um resmungo frio e saiu determinada.
No fim das contas, ela já tinha conseguido tudo o que queria naquela noite. Não fazia o menor sentido continuar ali fingindo simpatia com aquele bando de gente falsa; muito menos aguentar Olavo, que só a deixava enojada!
Com a confusão que se formara, sua saída era mais do que compreensível. Então ela simplesmente aproveitou a deixa e foi embora do evento.
Marcos, parado na entrada, olhou para Olavo com um misto de hesitação e preocupação antes de arriscar um comentário:
— Sr. Olavo, acho melhor a gente ir direto para o hospital.
Olavo respondeu, sem discutir:
— Tá.
O corte ainda sangrava, então era mesmo melhor cuidar daquilo.
Já no carro, Marcos começou a relatar a situação com Paulo. Suas palavras foram cuidadosamente escolhidas, num tom neutro e bem objetivo.
Mas o humor de Olavo estava péssimo. Assim que ouviu, cortou o assunto com um gesto brusco:
— Cancele o pedido!
Ao ouvir isso, Marcos quase suspirou de alívio. Tinha medo de que Olavo, tomado pela raiva, arranjasse confusão com Isadora. Ainda bem que não tinha perdido totalmente a cabeça. No fundo, ele sabia de que lado cada um estava.
Enquanto isso, Isadora tinha a intenção de pedir um carro por aplicativo, mas assim que saiu do salão, percebeu um pequeno detalhe: o local do evento ficava no alto de um morro, e seriam vários quilômetros até encontrar um táxi disponível.
Ela olhou para os próprios pés e soltou uma risada amarga. Com aquele salto fino, descer a pé seria um verdadeiro inferno.
Foi então que um carro se aproximou devagar, e Rafael, abaixando o vidro, sorriu:
— Moça bonita, precisa de carona?

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