Isadora parou em frente à antiga mansão da Família Carvalho, sentindo uma mistura de emoções difíceis de descrever. Aquele lugar, que um dia tivera um ar acolhedor quando o avô de Olavo ainda estava vivo, agora parecia vazio de qualquer calor humano. Tudo havia mudado.
Ao pensar nisso, o coração dela foi tomado por uma tristeza profunda. Respirou fundo, tentando se recompor, ergueu a cabeça e entrou.
Antes, ela sempre se mostrava submissa e silenciosa diante dos pais de Olavo, sabendo que não era bem-vinda. Sabia que sua origem não era das melhores e, se não fosse pela ajuda do avô, jamais teria tido a chance de se tornar esposa de Olavo.
Embora os pais de Olavo morassem fora, sempre que a viam, assumiam uma expressão fria e desdenhosa, como se fosse um verdadeiro embaraço ter uma nora como ela.
E como era de se esperar, ao entrar, Isadora logo sentiu a hostilidade. Fernanda foi a primeira a atacá-la, jogando a xícara que estava em suas mãos diretamente nela, com um olhar cheio de desprezo:
— Agora você está ousada, né? Achando que, com isso, o Olavo vai olhar para você de outra forma, ou pensando que o, que o velho deixou para você é suficiente para que pare de fazer o papel que sempre fez?
— Aline morreu. Você sabia disso?
Ela não queria interrogar Fernanda, apenas precisava saber se ela tinha conhecimento da morte da filha.
Ao ouvir isso, a expressão da Fernanda mudou rapidamente, mas logo se endureceu, e ela respondeu, com desdém:
— Era só uma garotinha, e você se importa tanto assim? Se morreu, morreu. Você ainda é jovem, gosta de criança, pode ter outra.
Era assim a Família Carvalho, uma família com tradição secular.

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