Como mãe, Isadora não conseguia aceitar esse ponto de vista.
— Não estou fazendo besteira. Só percebi uma coisa: Olavo quer um filho, e há muitas mulheres que podem dar-lhe isso. Não preciso me preocupar com isso.
Tereza, por exemplo, não estava esperando ansiosamente por uma oportunidade? Não estava desesperada para ter um filho dele?
Ao ouvir isso, Fernanda ficou visivelmente irritada. Apertando os dentes, respondeu com frieza:
— Certo, você diz não haver mais amor entre vocês. Diz que quer se divorciar. Não vamos te impedir. Mas devolva tudo o que o velho te deu, e você pode ir para onde quiser!
Isadora ergueu o olhar, sua voz firme:
— Essas coisas foram meu avô que me deu. Por que eu deveria devolver para vocês?
Mesmo antes de vir, Isadora já sabia que o casal tinha outra intenção, ouvir essas palavras ainda a doeu.
Respirando fundo, ela encarou os dois e disse:
— Não vim aqui para levar bronca. Só vim dizer que tudo o que o vovô me deixou, vou usar bem. E entre mim e o Olavo, não há mais volta!
Fernanda avançou, com os olhos fixos em Isadora:
— Essas coisas pertencem à Família Carvalho! Se você quer se divorciar e não faz mais parte da família, com que direito acha que pode ficar com algo que é nosso?
— Entrega tudo agora, ou vai se complicar, e não vai sair dessa tão fácil!
Essa nora, apesar de nunca terem se encontrado tantas vezes, sempre parecia medrosa e submissa, uma pessoa claramente vinda de uma família simples, sem elegância. Nunca imaginaria que ela teria coragem de falar dessa forma.
O que ela não sabia era que aquelas coisas, realmente, davam confiança para uma pessoa como ela!

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