— O que está acontecendo aqui, afinal?
— Você fala tudo pela metade e ainda sai assim? Isso é o cúmulo da irresponsabilidade!
— Marcos, diga algo!
Marcos ficou ali parado, sozinho, com aquela cara de coitado e totalmente perdido.
Dizer?
Ele realmente não sabia o que dizer. A verdade ele não podia contar, e a mentira... ainda não a havia inventado.
Só restava o silêncio.
Ao verem a reação dele, os diretores do Conselho ficaram ainda mais furiosos, parecendo prestes a partirem para cima dele.
Ainda lhes restava um pouco de racionalidade. Afinal, Marcos era apenas um funcionário... como todos ali, de certa forma. E entre funcionários, não faz sentido partir para a guerra.
Isadora saiu do prédio do Grupo Carvalho com o coração leve.
O sol bateu nela, e pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu o corpo inteiro aquecido.
Toda aquela dor e angústia dos últimos tempos... pareciam ter sumido por um instante.
— Está vendo, Aline? A mamãe conseguiu. Não falei que ia dar certo? Você pode ficar tranquila. A mamãe vai continuar firme, por você!
Ela levantou os olhos para o céu, com um sorriso leve no rosto, mas as lágrimas escorreram pelos cantos dos olhos.
A saudade da filha apertava mais do que nunca.
— Sua desgraçada, Isadora!
A voz cheia de ódio cortou o ar:
— Só para proteger o que é seu, você vai destruir o Olavo? É isso?
Tereza apareceu de repente, os olhos em chamas. Sem pensar, levantou a mão e foi direto para dar um tapa.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Brindou a Outra, Enterrei o Passado