— Isadora!
Olavo perdeu o controle de repente, levantou-se de um salto e avançou em sua direção, furioso.
Ela já sabia que ele não era muito certo da cabeça, então nem hesitou: sacou o cassetete elétrico do bolso e o cravou diretamente no estômago dele.
Com um estalo seco do choque, Olavo caiu sentado no chão, olhos arregalados, sem acreditar no que acabava de acontecer.
— Sr. Olavo, aqui é o Grupo Carvalho. O que o senhor pensa que está fazendo?
— Se cometer algum abuso, vou chamar a polícia. Estou falando sério.
Isadora o encarou com frieza, deixando bem claro as consequências.
Ninguém ali teve tempo nem presença de espírito para reagir ao que aconteceu. A tensão já estava no limite. Todos abriram os e-mails ao mesmo tempo e começaram a analisar os relatórios financeiros.
E quando terminaram... os rostos diziam tudo.
Até pouco tempo atrás, achavam que os escândalos online eram apenas fofoca de internet. Mas não. Aquilo era só a pontinha do iceberg. O rombo de verdade estava ali, bem na frente deles.
O Marcos correu até Olavo e tentou ajudá-lo a se levantar.
— Sr. Olavo, o senhor está bem? Quer que eu chame um médico?
Olavo empurrou Marcos com força, ainda encarando Isadora, como se tentasse entender quem era a mulher à sua frente:
— Por quê? O que você ganha fazendo isso? Somos marido e mulher! O que é meu não é seu também?
Isadora soltou uma risada fria:
— É mesmo? Então responde do fundo da sua consciência: você acredita nisso?
— Se o que é seu é meu... por que a nossa filha morreu por falta de 600 mil reais para pagar o hospital?
600 mil.
Era uma dor que nunca ia cicatrizar no coração de Isadora.
Ela jamais conseguiria aceitar. A filha entre a vida e a morte numa cama de hospital... e ele, gastando a mesma quantia para soltar fogos com outra mulher.

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