Olhando para o retrato de Aline, a dor no peito de Isadora parecia não diminuir nem um pouco.
Ela respirou fundo e, em voz baixa, disse:
— Aline, minha filha, já faz quase um mês que você se foi. Como pode ser tão cruel assim, sem nem voltar para ver a mãe? Como é o lugar para o qual você foi? Você já viu o vovô e a vovó? Achou o seu doce de leite favorito?
Enquanto falava, as lágrimas começaram a cair, desobedecendo à sua vontade.
Ela limpou o rosto com força e tentou sorrir:
— Querida, você consegue me ver aí do céu? Está vendo? Mamãe tem se comportado, está levando a vida direitinho! Sinto tanto a sua falta... Venha me visitar nos meus sonhos à noite, eu quero muito te ver, saber se você está bem.
Quanto mais ela tentava, mais as lágrimas escorriam, e não havia jeito de segurar. Hoje, ela queria conseguir sorrir para Aline, mas não conseguiu controlar a emoção.
Olavo estava perto, vestido com um longo sobretudo preto, que o fazia parecer ainda mais imponente.
Seu rosto marcado, normalmente cheio de ironia e desprezo, mudou para uma expressão triste na hora, assim que percebeu o olhar de Isadora sobre ele.
Ele se aproximou rápido, ficou ao lado dela e lançou um olhar frio para Rafael, que estava ali também, antes de dizer:
— Aline, o papai chegou.
Ao ouvir aquelas palavras, o punho de Isadora se fechou com força.
Ela sabia que, do ponto de vista estratégico, aquele era o momento certo para aparecer. Mas Olavo era o pai de Aline, seu pai de verdade!
Como pôde ser tão frio, não dando nenhum carinho ou amor enquanto a filha estava viva. Agora, depois da morte, usar a situação de forma tão descarada?

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