Ao ouvir os gritos de Tereza vindos lá de dentro, Isadora sentiu um alívio profundo, quase prazeroso. Na verdade, achava que era pouco. Olavo também merecia provar desse gosto amargo.
Ao voltar para seu quarto, ela encontrou quatro estilistas a esperando. Assim que a viram, alinharam-se com respeito. O homem à frente se adiantou:
— Senhora, sou Samuel. Vim cuidar do seu visual.
Ele apontou para trás, onde estavam dispostos vestidos e joias deslumbrantes:
— Estes são os vestidos mais recentes de alta costura e acessórios exclusivos. Pode escolher à vontade.
Bastou um olhar para Isadora entender que o evento daquele dia, tanto a coletiva com os jornalistas quanto o baile à noite, era extremamente importante. Caso contrário, Olavo nunca teria investido tanto. No fundo, ele ainda era um empresário, só agia quando havia lucro em jogo.
Pensando nisso, Isadora não conseguiu segurar um sorriso de escárnio.
— Quero o mais caro.
Se estavam lhe oferecendo, ela não ia recusar. Não dava para dar o golpe final ainda, mas já podia começar a sangrar.
Samuel ficou surpreso. Já tinha trabalhado com ela antes, e se lembrava bem de como era discreta, quase apagada. Sempre escolhia os vestidos mais simples e baratos. Nos bastidores, diziam que ela tinha aparência humilde e não combinava com o status da jovem senhora da Família Carvalho.
Mas agora... era outra mulher. Até o ar ao redor dela parecia diferente.
Diante disso, Samuel não hesitou e trouxe um vestido vermelho vibrante. O modelo era ousado, com recortes que deixavam boa parte do corpo à mostra, principalmente as costas, quase nuas. Mesmo sem o vestir, Isadora já sentia o calor da peça.
Ela se aproximou, analisou com calma e assentiu, satisfeita:
— Está lindo. Vai ser esse mesmo.
Apontando para as joias ao lado, completou com um leve sorriso:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Brindou a Outra, Enterrei o Passado