Olhei para trás e lá estava Oliver, daquele jeito dele, olhar duro e sério.
— Como você sai do hospital e não avisa a ninguém? — Perguntou, nervoso e com voz alterada.
— Eu iria avisar, senhor. — enxugava minhas lágrimas disfarçadamente.
— Quando? Quando se perdesse na cidade? — disse nervoso.
— Só estava respirando um pouco de ar puro.
Oliver se sentou ao meu lado, o que me deixou um pouco sem graça.
— Aproveitou que está maior de idade e já começou a mostrar a sua independência? — Me encarou. — Você não tem intenção de voltar para a fazenda, não é mesmo?
— Claro que vou, eu só ia almoçar primeiro.
— Fala sério, Aurora, suas coisas estão praticamente todas aí dentro desta bolsa.
— Você sabe porque tenho poucas peças de roupa, não trouxe nada de minha casa quando vim morar aqui.
— Tudo bem, desculpas. Mas você não está querendo voltar, não é?
— Claro que quero, eu só estava espairecendo um pouco, fiquei dentro daquele hospital sem ver a luz do sol, queria descansar um pouco antes de pegar a estrada.
Oliver ficou quieto, parou de me encarar e começou a olhar a paisagem à nossa frente. Ficamos em silêncio por algum tempo, até eu o quebrar.
— O que o senhor faz aqui?
Ele voltou a me encarar, mas não disse nada.
O silêncio constrangedor voltou com forças, Oliver me observava e acabou que comecei a observá-lo também.
Notei o quanto ele era bonito. Seus olhos penetrantes, sobrancelhas e nariz bem desenhados e a boca, nossa! A sua boca era perfeita. Lembrei-me do seu beijo naquela noite frustrante e logo meu rosto queimou de vergonha alheia.
“Ele te beijou pensando em outra pessoa, boba.” Minha consciência me alertou, então desviei o olhar.
— Vim buscar você. O Joaquim pediu folga hoje, pois a mulher dele não está se sentindo muito bem, então ele está cuidando dela.
— Como soube que eu já havia saído do hospital?
— O médico me ligou avisando.
— Entendi.
— Não quer voltar, não é?
— Claro que quero! É que eu ia antes procurar um lugar para comer primeiro, depois ligaria para virem me buscar.
— Por que não come em casa? — Insistiu.
— O nutricionista disse que eu não podia pular refeições, achei que iria demorar de chegar na fazenda, mas, tudo bem, então vamos?
Me levantei e peguei minha bolsa, comecei a caminhar, mas Oliver continuou sentado.
— Iria aproveitar o dia, não é? — perguntou ainda sentado.
— O quê? — Perguntei confusa.
— É seu aniversário, você iria aproveitar o dia.
— Eu só iria caminhar um pouco. — Falei tímida.
Fiquei com vergonha, Oliver fazia parecer que eu queria ficar longe da fazenda, mas eu sabia que quando chegasse lá, ficaria do mesmo jeito que estava no hospital, em repouso. Então, eu só iria espairecer um pouco antes de voltar.
Oliver se levantou e veio até mim.
— O que quer comer? — Perguntou.
— Quê? — Sua pergunta veio de surpresa. — Bem, eu como o que Denise tiver preparado.
— Não vamos para casa agora, comeremos por aqui, está quase na hora do almoço e o médico disse que você não pode pular refeições.
— Comerei qualquer coisa, senhor.
— Vamos!


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