Denise andava eufórica pelo quarto, pois Saulo havia comprado várias roupas e sapatos novos para ela. Agora contava que teria roupa nova para cada dia de festa, também ganhou uma gargantilha de ouro com esmeraldas, o que a deixou de boca aberta. Quando ela me mostrou a peça, eu só consegui pensar no quanto o Saulo gostava dela e ela, por mais que diga ser pé no chão, estava caidinha por ele.
[…]
Já fazia duas semanas que voltei do hospital e já estava com alguns quilos a mais. Segui à risca a dieta passada pelo nutricionista e Denise não me deixava passar da hora de comer. Estava amando a companhia dela, por mais que já estivesse boa, Oliver continuava a mandar Denise ficar com Noah para mim.
Falando no Oliver, eu não tive oportunidade pessoalmente ainda para o agradecer pelo notebook. Nas duas vezes que o vi nesta semana, ele passou por mim direto, me ignorando totalmente. Eu não entendo por que ele é assim, às vezes é a melhor pessoa do mundo e do nada se transforma na pior.
Odeio conversar quando ele está nervoso, pois me enche de piadas, mas também odeio ficar sem falar com ele, porque às vezes ele é um amor de pessoa.
Eu não estava nem aí para a festa que iria acontecer, afinal, não poderia ir, pois o Noah ficaria comigo e Oliver evidentemente não ficaria com ele à noite, já que era o anfitrião da festa. Porém, no fundo, gostaria muito de ir, brincar no parque de diversões, comer cachorro-quente, pipoca doce e assistir a um show. Eu nunca fui a um show, mas pelo que assistia na televisão, parecia a melhor coisa do mundo. Cantar com a banda, levantar as mãos, dançar e beber, bem… beber eu não iria, apesar de ter dezoito anos agora, nunca me interessei por bebidas alcoólicas. Sempre quis curtir tudo bem discreta, para não esquecer nenhum detalhe e também para não fazer nenhum tipo de besteira, que pudesse me arrepender no outro dia.
Era sexta-feira, Denise havia acabado de sair e eu terminado de jantar.
Estava brincando com Noah, esperando Oliver vim buscá-lo, já que Noah agora dormia com ele.
A porta do quarto foi aberta e Oliver entrou, ele estava de bermuda e uma camiseta larga, nunca havia visto-o vestido assim.
— Boa noite, Aurora, eu demorei? — Perguntou com tom de voz leve.
Lá vem o bipolar, pensei.
— Boa noite, não demorou não, eu estava brincando com ele.
— Como você está?
— Bem, obrigada! — Foi o que eu tinha para responder, não nos falávamos há dias, então não sabia o que conversar.
— Já escolheu a faculdade?
— Enviei meus documentos para uma, estou esperando respostas, aliás, muito obrigada pelo notebook.
— É um MacBook! — Corrigiu.
— Tanto faz, serve para o mesmo.
Oliver abriu a boca para falar, mas fechou outra vez.
Ele olhou para Noah deitado na cama e depois para mim.
— Sabia que daqui a uns dias, vão começar as festas da feira agropecuária da vila?
— Fiquei sabendo sim.
— E você vai? — Indagou com desdém.
— Ah, não! Esqueceu que meu emprego é em período integral?
— É verdade, tinha me esquecido. — Riu e eu não entendia o motivo da risada. — Estou planejando levar o Noah, ele é novinho, mas quero que ele se distraia. Já fará 3 meses, precisa sair um pouco, além disso, o lugar que ficarei é mais reservado, não terá tanto movimento ou barulho.
— Isso é bom.


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