Não acreditava no que Denise acabou de falar, fui para a sala com tanta raiva, que minha vontade era escorraçá-la daqui. Como ousou voltar depois do que fez.
— Oliver!
Liana correu em minha direção tentando me abraçar, eu a empurrei de imediato.
— O que faz aqui?
Liana estava com o rosto vermelho de tanto chorar, vestia roupas largas, nunca havia visto-a desse jeito.
— Oliver, eu fugi.
— Para de contar lorotas, saí daqui agora, sua vagabunda, você não tem ideia do que quase causou! — Saulo falava.
Sinceramente, eu não sabia o que fazer, estava muito bem há alguns minutos com a Aurora, parecia que tudo ia entrar nos eixos. Não acreditava que as coisas pudessem estragar de uma hora para outra. Liana pedia ajoelhada aos meus pés, para que eu a escutasse, Saulo gritava para tirá-la dali e, para completar, vi a Aurora, que olhava do corredor, com um olhar assustado, sem entender o que se passava.
Eu precisava resolver isso logo, o momento de passar tudo a limpo havia chegado, mandaria Liana sumir da fazenda e nunca mais aparecer e voltaria para os braços da Aurora o mais rápido possível.
Após entrarmos no escritório, me sentei e a olhei. Ela estava no meio daquela sala, cabisbaixa, chorosa e abatida, eu nunca imaginei vê-la desse modo.
— Você tem cinco minutos.
Ela levantou a cabeça e me olhou, seus olhos estavam vazios.
— Oliver, houve um mal-entendido, um terrível mal-entendido, o Túlio me sequestrou naquele hospital, logo após eu ter tido o bebê.
— Mentira!
— Não, não é! — Ela se aproximou mais da mesa onde estava. — Ele estava tramando tudo, aquele dia na capital, eu havia bebido um suco, que, no princípio, até achei um gosto diferente, mas depois comecei a ter contrações, não tive tempo para questionar e fui levada às pressas para o hospital, mandei que te avisassem, queria você comigo.
— Mentira!
— Não, não é! — Gritou — Você não chegou a tempo e eu tive o bebê. Estava indo para o quarto, então me levaram para um carro, imagina! Eu havia acabado de sair de uma sala de cirurgia, não podia correr, nem andar, fui levada a forças, o Túlio pagou alguém para me dopar.
— Você mandou mensagem após fugir, dizendo que não queria o menino.
— Ele que mandou, foi tudo armado. Túlio disse que se vingaria de você, por ser humilhado daquela forma. Quando saiu nu da fazenda, ele me culpou também, porque você havia me perdoado.
— Como você é tão nojenta, em mentir assim?
— Não é mentira, Oliver, olha para mim, eu sei que fiz coisas horríveis com você antes, mas havia me perdoado e eu prometi que não faria mais nada, eu sei que parecia que eu não gostava do bebê, mas era tudo novo para mim. Ia te fazer uma surpresa na hora do parto e iria te revelar o nome dele, eu estava me adaptando a tudo. O Túlio me levou para fora do país, mesmo operada, me bateu, me torturou!
— Mentira! — Bati na mesa, não suportando mais ouvir aquela serpente venenosa.
— Olha para mim! — Nesse momento, começou a tirar a roupa, mostrando manchas roxas e cicatrizes em todo seu corpo. Liana também estava muito magra.
— Fui vítima dele e nesse tempo todo, você nunca foi atrás de mim, para saber a verdade. Todos os dias eu apanhava, até a minha cicatriz da cesária abriu, de tanto que ele me bateu. Sofri como uma cachorra nas mãos dele, e tudo porque ele queria se vingar de você, me usando.
As manchas no seu corpo mostravam realmente que Liana havia sofrido agressões e eram de coisas recentes.
— Eu jamais deixaria meu filho, Oliver, jamais deixaria meu bebê, eu quero vê-lo, quero tocá-lo.
— Você não tem direito sobre meu filho.
— Oliver! — Atravessou a mesa e se encostou na cadeira onde eu estava sentado. — Eu só pensei em vocês esse tempo todo. O Túlio voltou semana passada para nosso país, ele veio atrás de vingança, mas consegui fugir dois dias atrás. Estou com fome, com sede, com medo, porque ele me ameaçou de morte e a única coisa que quero é que você acredite em mim.



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