— O que faz aqui?
— Bem. — Comecei — Me desculpa. — Eu estava toda sem jeito. — Estou fazendo um teste para trabalhar aqui.
— Trabalhar aqui? — Perguntou sério.
— Sim, na faxina e na copa, hoje é o meu primeiro dia, sinto muito por isso.
— Você é um pouco desastrada, não é?
Quando ia responder, Rafaela apareceu.
— Bom dia, doutor Tácio, essa é a Aurora, ela está treinando para trabalhar conosco.
Eu não podia acreditar, o doutor era o mesmo homem que esbarrei há alguns dias, e que me comprou o celular.
— Aurora… — pensou, antes de falar. — Por que ia saindo tão depressa?
— O rapaz que acabou de fazer a entrega do café deixou a carteira cair, ia tentar alcançá-lo.
— Olha aqui. — Entrou na copa e mostrou um caderno. — Sabe o que é isso? — Insinuou para o que estava em sua mão. — Isso é uma agenda, contém o número de telefone dele, não precisa correr por aqui, isso é uma clínica, há pacientes com problemas de visão, imagina esbarrar em um deles. — falou nervoso.
— Me desculpa, não era a minha intenção. — Me senti muito constrangida, ainda mais, por saber quem era o médico e por ser apresentada desse jeito.
— Que seja, não quero que esse erro se repita outra vez, Rafaela, traga meu café no meu escritório.
— Sim, senhor.
O homem saiu a passos largos e bateu a porta, me desesperei, pois sabia que iria perder o emprego.
— Foi um acidente, Rafaela.
— Eu sei, não se preocupe, eu vou conversar com ele, o doutor anda um pouco estressado por esses dias, a raiva dele não foi para você.
— Obrigada.
Rafaela colocou o café do médico na bandeja e saiu, e eu fiquei ali, muito sentida e preocupada. Peguei meu celular e liguei para o número do rapaz da agenda e o avisei sobre a carteira. Ele, todo agradecido, voltou e buscou.
O resto do dia, fiquei repondo as garrafas, que se esvaziavam rápido, pelos pacientes que passavam por ali. Quando deu meu horário, eu saí, logo passei na mesa de Rafaela.
— Oi, Aurora, eu já ia atrás de você.
— O que houve, não é para eu vir amanhã?
— Pode, sim, eu conversei com o doutor, ele disse que pode vir, como falei antes, ele anda um pouco estressado, mas a culpa não é sua, pode vir amanhã no seu horário normal, eu não estarei aqui, mas você já sabe o que fazer.
— Obrigada, Rafaela.
Após sair do consultório, voltei para a pousada. O resto da tarde, fiquei no quarto tentando assimilar o que fazer da vida. Eu era uma garota de 18 anos, que não tinha o apoio da mãe e nenhuma família, havia deixado para trás as únicas pessoas que se importavam comigo e de quem estava morrendo de saudades.
A noite, desci para o pequeno bar, pedi que me servissem um petisco, peguei meu celular. Eu sabia o número de Oliver decorado, eu só precisava fazer uma única chamada para saber como ele estava, disquei seu número e, antes de apertar o botão verde, fui interrompida.
— Boa noite.
— Ah, boa noite.
Respondi sem jeito, era o doutor Tácio.
— Seu nome é Aurora, não é mesmo?

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Caminho traçado: uma babá na fazenda