Robin acabara de guardar os suplementos quando olhou para Edward e perguntou:
— Sr. Dunn, como pretende tomar esses suplementos?
— Jogue fora.
A resposta foi fria e curta. Sem nem olhá-la, Edward seguiu direto para o quarto principal.
Robin ficou atônita diante da mudança repentina em seu comportamento.
O que houve? Por que ele ficou tão irritado do nada? Teria sido porque não gostou dos suplementos?
Mas sua frieza parecia direcionada a ela. E, sinceramente, não conseguia pensar em nada que tivesse feito para desagradá-lo.
Mordeu o lábio, sentindo-se frustrada e impotente.
Como o humor de alguém podia mudar de maneira tão brusca?
Mesmo assim... ele ainda lavaria a louça naquela noite?
Apesar da atitude distante, Edward cumpriu sua palavra. Assim que o jantar terminou, foi direto para a pia, como prometera, dividindo as tarefas domésticas.
Enquanto isso, Robin estava agachada na varanda, cuidando de suas plantas, e não se surpreendeu ao ouvir o som de vidro se espatifando na cozinha.
Outra louça quebrada.
Ela suspirou, pensando se deveria ir ver como ele estava, mas lembrou-se de sua frieza durante o jantar. A mágoa voltou à tona.
Deixa pra lá.
Com os dedos, mexeu em algumas folhas, desapontada.
Ela detestava aquela sensação de incerteza.
Ele prometera que iria conhecer seus pais no fim de semana.
Será que desistiria agora?
Robin ponderou por um instante e concluiu que provavelmente não. Edward sempre cumprira suas promessas, até mesmo as pequenas, como comprar smoothies para ela todos os dias após sua alta do hospital.
Às vezes, ela se pegava acreditando que eles eram mesmo um casal apaixonado.
Mas logo se lembrava de que tudo isso era apenas uma fantasia.
...
O sábado chegou rapidamente.
Na noite anterior, Robin enviou uma mensagem para confirmar se Edward ainda iria almoçar com ela na casa de seus pais.
A resposta veio tarde, com uma única palavra: “Sim.”
Ela suspirou aliviada. Ficava feliz por ele lembrar.
Eles haviam combinado de sair às 10h, para chegar à Residência Olson a tempo do almoço.
Depois disso, ele não disse mais nada. Somente tarde da noite ela recebeu nova confirmação.
Mais tranquila, Robin sentou-se na cama e mandou outra mensagem:
“A propósito, devo comprar um presente para levar? Pode parecer mais formal, causar uma boa impressão.”
A resposta de Edward veio logo depois:
“Faça como achar melhor. Estou ocupado.”
O tom seco derrubou o ânimo dela.
Por um momento, ela se iludiu com a ideia de apresentar seu marido aos pais — mas aquela ilusão logo se desfez diante da realidade.
Ainda assim, havia uma leve expectativa pelo dia seguinte.
Ao menos, as coisas pareciam estar caminhando.
Na manhã seguinte, pouco depois das dez, Robin voltou ao apartamento com frutas e presentes.
Bateu na porta de Edward, mas ninguém respondeu.
Imaginando que ele não voltara para casa, enviou uma mensagem.
Meia hora se passou, e nada.
Inquieta, tentou ligar. Sem sucesso.
Às 10h30, ainda sem resposta, Robin decidiu enviar outra mensagem:
“Vou indo na frente. Pode nos encontrar depois que terminar o que estiver fazendo.”
A Residência Olson ficava nos arredores da cidade, afastada da agitação urbana. Era uma antiga casa de família herdada dos avós.
Seu pai, James, era apegado às tradições. Mesmo com dinheiro, recusava-se a deixar o lar antigo, preferindo o conforto familiar.
— Ro, seu marido é sempre tão ocupado assim? Ele não é só um motorista? Como é que nem no fim de semana ele tem tempo pra almoçar com a esposa? — questionou James, franzindo a testa enquanto tomava um gole de vinho.
— Já passa da uma — observou Dawn, checando o relógio. — Parece que vai perder a comida do seu pai.
Robin apertou o garfo com força e forçou um sorriso.
— Ele é esforçado, trabalha muito e tem pouco tempo livre. Não é fácil pra ele.
James resmungou.
— E quando ele vai chegar, afinal?
Robin hesitou, sem saber o que dizer.
Dawn tentou aliviar o clima:
— Vamos com calma. Se ele disse que viria, deve estar a caminho. Vamos comer logo.
Robin assentiu, tentando sufocar a inquietação que crescia em seu peito.
Queria acreditar que Edward estava realmente ocupado, não que havia desistido de aparecer.
Ele prometeu. Ele vai vir. Tenho certeza.
Aquela certeza a acalmou um pouco.
Após o almoço, Robin ajudou com a louça e viu Dawn preparando um tônico na cozinha.
— Mãe, isso é pra você? Está se sentindo mal? — perguntou, preocupada.
Dawn suspirou.
— Na minha idade, as dores vêm com a chuva. Joelhos, braços... tudo dói. Esse tônico foi recomendado por um médico holístico. Ajuda bastante.
Robin mordeu o lábio, sem saber o que dizer.
Elas nunca foram muito próximas. As conversas sempre giravam em torno de dinheiro.
Dawn mexia na panela e olhou para a filha com doçura.
— Ro, eu não peço muito. Só quero ver você e Taylor bem, e que venham nos visitar de vez em quando.
Robin sentiu um desconforto estranho com aquele tom, mas logo o afastou.
— Eu vou, pode deixar — prometeu.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casada em Segredo com o Herdeiro
O livro e ótimo, só que fiz que e gratuito mais agora estão cobrando, antes não era assim, pq mudou??...