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Casada Sem Saber, Amada Tarde Demais romance Capítulo 235

Murilo tirou outro documento da pasta:

— Sr. Soares, estes são os registros de internação da Alba no hospital em Rio das Artes, quando ela deu à luz, há sete anos. As crianças nasceram naquela época. Já a Stella Soares estava em Brisamar. Além de frequentar a faculdade, passava praticamente todo o tempo livre ao seu lado. Seria impossível ela ter tido filhos.

Jefferson pegou os documentos e folheou cada página com cuidado. Em seguida, com o semblante sombrio, esfregou a testa, que já começava a latejar:

— Então... mesmo que a Alba seja a Stella, os filhos dela não têm nada a ver comigo...

Murilo suspirou:

— Sr. Soares, na verdade, esses documentos provam claramente que Alba não é Stella Soares. Porque, há sete anos, Alba estava em Rio das Artes, enquanto Stella Soares estava em Brisamar. As datas simplesmente não batem.

A explicação de Murilo era muito clara.

E Jefferson também entendeu perfeitamente.

Ele se jogou para trás na poltrona, abatido.

Então será que todas aquelas coincidências eram mesmo só coincidências?

Mas por que, no fundo, ele ainda sentia que havia algo errado?

Depois de um longo silêncio, Jefferson inclinou a cabeça para trás, recostando-se na cadeira, e massageou as têmporas doloridas com os dedos longos e bem definidos, antes de perguntar:

— Já descobriram quem é o pai dos filhos da Alba?

Murilo sentiu um frio na barriga:

— Até agora, só descobrimos que a Alba saiu do orfanato e passou a viver sozinha aos dezesseis ou dezessete anos. Depois disso, ela passou por muitos lugares e não tinha um círculo social fixo. Por isso, ainda não conseguimos identificar quem era o ex-namorado dela...

Jefferson franziu a testa:

— Toda pessoa deixa rastros por onde passa. A faculdade em que estudou depois de sair do orfanato, as casas que alugou, os professores e colegas que a conheceram... Isso tudo não deveria ser rastreável?

— Sim, eu já mandei investigarem, só que...

Murilo enxugou o suor frio que se formava em sua testa:

— Precisamos de tempo para checar todas essas informações...

— Façam isso o quanto antes.

Jefferson deu a ordem em voz fria.

Murilo respondeu apressado:

— Sim, senhor.

Depois que Murilo saiu, Jefferson permaneceu sentado por um longo tempo, mergulhado no desânimo. Quando estava prestes a se levantar para ir ao banheiro tomar banho, alguém bateu à porta do escritório.

Ao ouvir o nome de Alba, a expressão fria de Jefferson vacilou por um instante:

— Ela é apenas minha subordinada.

Se tivesse que definir o lugar de Alba, “subordinada” parecia a palavra mais adequada.

Quanto a estar apaixonado ou não, ele mesmo não sabia.

Mas tinha plena consciência de que, toda vez que olhava para Alba, via nela a sombra de Stella.

Até quando a beijava, era em Stella que pensava.

Era um sentimento confuso, fragmentado.

Algo que o fazia perder o controle, tomado por um desejo quase doentio de tê-la e dominá-la.

Como naquela tarde, na casa de chá, quando teve vontade de possuí-la ali mesmo...

Ao pensar nisso, o peito de Jefferson pesou como se uma pedra enorme o esmagasse, dificultando até a respiração.

E, justamente nesse momento, Adelina tocou no ponto mais sensível:

— Jefferson, já que você vê a Alba apenas como uma subordinada comum, não pode mandar ela embora do Grupo Soares?

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