Freya olhou freneticamente ao redor. Ao se virar, deu de cara com Cesar Soares caminhando na sua direção.
Os feixes de luz neon batiam contra a camisa preta de Cesar, formando uma teia opressora ao seu redor. A aura dele exalava uma frieza intimidadora. O seu rosto esculpido estava semicamultado pelas luzes cruzadas, tornando impossível ler as suas emoções.
Cecília ainda não o havia notado.
— Pede pro seu marido acabar com ele. Quero ver se ele vai ter coragem de ser nojento com a gente de novo.
Freya puxou discretamente a barra da roupa de Cecília, com a mente a mil por hora, tentando elaborar uma boa desculpa.
Cecília continuava imersa na adrenalina do momento.
— Só foi ruim porque estragou o nosso clima para ver os modelos. Bebê, não deixa esse tarado arruinar a sua noite. Na próxima vez, a gente pede uns ainda mais gatos.
Freya mordeu o lábio inferior ressecado. A sua visão escureceu e ela abaixou ainda mais a cabeça.
Os luxuosos sapatos de couro no seu campo de visão a alertaram que o seu marido repentino estava parado bem na sua frente.
Víctor Rodrigues correu e agarrou Cecília, dando a entender que Cesar estava ali.
— Cecília Rodrigues, você já percebeu o erro que cometeu?
— Que erro...? Eu... — Cecília seguiu o olhar do irmão e viu o lendário monstro controlador e implacável em carne e osso. Ela olhou de volta para o irmão em pânico, mas Víctor apenas fez uma expressão de que não podia ajudar em nada. — Eu errei.
Víctor tossiu, engrossando a voz.
— Se pedir garotos de programa de novo, eu quebro as suas pernas.
Cecília deu um beliscão no irmão, mas entrou no personagem:
— Não peço mais, prometo.
Freya ergueu os olhos devagar, esbarrando diretamente no olhar sombrio de Cesar. A respiração dela, que mal havia se estabilizado, ficou ofegante de novo. Ela piscou inocentemente, forçando três palavras:
— Que coincidência, não?
Cesar soltou uma risada fria e a encarou de braços cruzados.
Cecília tomou a culpa toda para si.
— Diretor Cesar, fui eu quem pediu os modelos. A Fifi nem olhou para eles.
Víctor puxou a irmã para longe, antes que ela continuasse mentindo na cara dura.
— Já está tarde. Vou levar essa peste para casa. Freya, o seu marido acompanha você.
Por que não a levaram junto?!
Freya precisou de um segundo para aceitar o seu destino cruel. Ela vestiu a sua melhor máscara de boa garota, fez uma expressão de pura culpa e disse com a voz macia:
— Eu errei.
O olhar de Cesar escureceu ainda mais.
— Ainda quer continuar brincando?
— Não quero mais. — Freya sentiu que aquilo não era o suficiente para convencê-lo e acrescentou nervosamente: — Não quero mesmo. Na verdade, isso não tem a menor graça. Eu nunca mais vou pedir garotos de programa, eu garanto.


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