Lila respirou fundo.
Ainda sentia o coração batendo acelerado dentro do peito por tudo o que tinha acontecido há pouco. Seus dedos trêmulos seguravam a toalha envolta em seu corpo com força, como se ele ainda estivesse ali, ao seu lado.
O quarto estava uma bagunça, o lençol amarrotado, a colcha caída no chão, a toalha que Taylor usava estava jogada sobre a poltrona, à janela aberta deixando entrar a brisa quente do inicio da manhã. O perfume de Taylor ainda pairava no ar, misturado com o cheiro leve de lavanda vindo do difusor no canto.
Mas nada era mais intenso do que a lembrança do que havia acabado de acontecer.
O toque dele ainda queimava sob sua pele, cada beijo parecia gravado na memória, e a mente de Lila era um turbilhão de imagens, dúvidas e um medo que ela tentava desesperadamente empurrar para longe. Sentia o corpo quente, o coração acelerado, mas o cérebro... o cérebro não parava.
Ela caminhou até o guarda-roupa, escolheu um vestido simples e pegou uma lingerie. Sem cerimônia, passou o vestido creme pela cabeça, sentindo o tecido leve deslizar pela pele ainda sensível. Lila fechou os olhos por um instante, tentando acalmar a respiração que vinha curta e descompassada.
Por que ele sempre para? — perguntou-se, com os dedos trêmulos tentando abotoar o vestido.
O som metálico dos botões parecia ecoar no silêncio do quarto. Cada clique soava como um lembrete do que ela não tinha coragem de dizer.
Será que ele percebeu? Será que Taylor sabe…?” — pensou, engolindo em seco. — Será por isso que ele nunca vai até o fim? Será que… ele já desconfia que eu ainda sou… virgem?
O pensamento a atingiu como um soco no estômago. Sentiu os ombros caírem e a garganta apertar. Uma parte dela queria acreditar que Taylor estava apenas tentando respeitá-la, que tinha paciência, que o motivo para parar era puro cuidado. Mas outra parte… A outra parte temia que ele estivesse recuando por desconfiança. Que talvez ele olhasse para ela e enxergasse uma barreira, um problema, um desafio que não queria enfrentar.
E se ele cansar? E se ele achar que eu sou… complicada demais?
O medo apertou o peito, roubando o ar. O desejo que sentia por ele era tão intenso que chegava a doer, um calor que se espalhava pelas veias, que deixava suas pernas fracas. Mas junto com esse desejo vinha um receio sufocante, o de não ser suficiente. O de não corresponder. O de perder o único homem que, de alguma forma, conseguia mexer com cada parte dela.
Lila poderia ter qualquer homem que desejasse aos seus pés. Mas desde o primeiro momento em que viu Taylor Remington, se apaixonou por ele. Nunca admitiu isso, jamais. Nem mesmo sua melhor amiga sabe dessa paixão juvenil e se dependesse dela, esse segredo permaneceria guardado a sete chaves.
Mas agora… as coisas eram diferentes. Estava noiva dele, e ele lhe fazia se sentir viva, desejada, única. Mas… porque ele parava?
Mordeu o lábio inferior com força, sentindo o gosto metálico de um machucado abrir. Seus olhos marejaram, mas ela respirou fundo, decidindo que não podia se entregar ao pânico. Precisava de respostas. Precisava de Catarina.
Com esforço, penteou os cabelos, prendeu-os de qualquer jeito e olhou uma última vez para o espelho. O reflexo mostrava alguém que não parecia ela, os olhos levemente vermelhos, o rosto corado demais, o corpo vibrando de adrenalina.
Lila desceu as escadas devagar, os degraus de madeira rangiam sob seus pés. O som parecia ecoar mais alto do que deveria, como se cada passo anunciasse um segredo que carregava.
O cheiro de bolo de milho recém-saído do forno invadia o ar, misturado ao aroma do café fresco que Maria havia acabado de coar. A sala estava iluminada pela luz suave da manhã, com os móveis de madeira brilhando, polidos. Era um cenário aconchegante, mas dentro de Lila, tudo era um caos.
Ao chegar ao pé da escada, encontrou Catarina sentada ao lado de Amanda no sofá, as duas conversando animadamente sobre algo banal. Maria estava próxima à janela, enxugando o suor da testa com um pano de prato.
Mas antes que Lila pudesse abrir a boca, Maria falou alto, indignada:
— Só pode ser aqueles moleques da fazenda do senhor Lau! — exclamou, balançando a cabeça com força. — Vivem aprontando, minha filha. Aposto que abriram o cercado para roubar goiabas de novo… e dessa vez, deixaram tudo escancarado.
Lila parou no meio da sala, com os olhos arregalados e o coração acelerado num sobressalto.

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