O barulho das botas pesadas ecoava pelo corredor de madeira quando Taylor desceu as escadas em disparada, passando a mão pelos cabelos ainda úmidos, o corpo quente do banho e da frustração que queimava sob a pele. A toalha tinha sido trocada às pressas por uma calça jeans surrada, o peito ainda nu, pingando água, e os músculos retesados como se cada fibra estivesse pronta para explodir.
No pé da escada, Maurício o esperava, o rosto tenso, suado, segurando o chapéu amarrotado com os dedos trêmulos.
— Anda logo, cara! — Maurício praticamente puxou o braço do cunhado, a voz carregada de urgência. — A cerca arrebentou! Os bois estão invadindo o milharal do vizinho! O James tá uma fera, quase me engoliu vivo na porteira!
Taylor soltou um palavrão baixo, trincando o maxilar. A paciência dele já estava por um fio — e não só por causa dos bois.
— Inferno… — murmurou entre dentes, respirando fundo. — Isso só pode ser sacanagem do destino.
— Hoje não tem tempo pra drama, cowboy! — Maurício bateu no ombro dele, rindo nervoso. — Bora, antes que o James enfarte lá no meio do mato!
Os dois saíram em disparada pela varanda, cruzando o caminho de terra batida em direção aos estábulos. O sol forte de fim de manhã queimava a pele e fazia o ar cheirar a poeira e capim amassado. De longe, o som dos mugidos misturados aos gritos dos peões chegava como um chamado de guerra.
Assim que entraram no estábulo, o cheiro forte de couro, feno e suor de cavalo invadiu o ar. Diablo, o garanhão negro de Taylor, já batia os cascos contra o chão, impaciente. Era como se ele soubesse que o dono precisava dele, ele encarava Taylor com o olhar feroz. Do outro lado, Trovoada, o baio robusto de Maurício, bufava alto, como se sentisse que algo sério estava para acontecer.
Taylor agarrou a sela com as mãos rápidas e firmes, jogando-a sobre Diablo com precisão. Enquanto ajustava as fivelas, acariciou de leve o pescoço do animal.
— Calma, garoto… hoje o bicho vai pegar. — sussurrou, sentindo o cavalo vibrar sob seu toque.
Maurício, por sua vez, montava Trovoada com a mesma pressa, com os dedos ágeis amarrando as tiras de couro e os olhos sempre atentos ao movimento do cunhado.
— Bora, Diablo! — Taylor bateu levemente no pescoço do animal e, num salto ágil, montou o cavalo, ajeitando o chapéu na cabeça. — Hoje você vai ter que voar.
Maurício fez o mesmo com Trovoada, montando no cavalo com a mesma destreza.
— Se a gente não correr, o James vai infartar antes da gente chegar lá. — comentou, puxando as rédeas com força.
— Ou vai querer matar alguém. — Taylor rebateu, com um meio sorriso, mas os olhos estreitos denunciavam o nervosismo.
Eles cavalgavam lado a lado, os cascos dos dois animais batendo no chão com força, levantando poeira pela trilha que levava ao pasto. O vento cortava o rosto, e o barulho dos mugidos ficava cada vez mais alto.
No caminho, Taylor bufava, mordendo o lábio inferior, com os olhos focados na estrada. Maurício percebeu o semblante fechado do cunhado e arqueou uma sobrancelha.
— Essa cara aí não é só por causa dos bois, né? — provocou, mantendo o ritmo da cavalgada. — Aposto que tem mais coisa queimando nessa sua cabeça.
Taylor não respondeu de imediato, apertou as rédeas com mais força do que o necessário. Diablo bufou, sentindo a tensão do dono. Maurício insistiu, com um sorriso maroto.
— Não me enrola, Remington. Sei reconhecer quando o problema tem nome e sobrenome… começa com “L” e termina com “ila”.
Taylor respirou fundo fechando os olhos, mas acabou soltando um riso curto, quase irônico.
— A gente quase… — ele começou, hesitando por um segundo. — Quase aconteceu, Maurício. Mas sempre… sempre alguém aparece. Sempre alguma coisa atrapalha.
Maurício olhou para ele, surpreso, quase puxando as rédeas de Trovoada no susto.
— Quê?! Não acredito! — ele soltou um assobio baixo, chacoalhando a cabeça. — Tá me dizendo que o senhor Taylor Miller, o Domador de Corações, está empacado?
Taylor lançou-lhe um olhar atravessado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário