Lila ainda estava sozinha, sentada na beira da cama, com os dedos brincando nervosamente com a barra do vestido, quando os pensamentos começaram a girar sem controle. A conversa com Catarina ainda ecoava dentro dela, pesada, embaralhando tudo. A confissão tinha saído como um sussurro, mas agora o peso dela caía com força no peito.
"Será que ele sabe? Será que o Taylor desconfia? E se for por isso que ele sempre para? Será que ele… não me quer de verdade?" — pensou, mordendo o lábio, o peito subindo e descendo num ritmo acelerado.
Respirou fundo, tentando organizar o turbilhão. As palavras de Catarina voltaram à mente como um alívio tímido:
"Eu nunca vi o meu irmão olhar para uma mulher como ele olha pra você."
Isso a confortava por um instante, mas o medo ainda estava lá, insistente, um nó preso na garganta.
Ela levantou-se, atravessou o quarto com passos lentos e caminhou até a varanda. O céu exibia tons dourados e laranjas enquanto o sol descia no horizonte, pintando o campo com uma luz quente e suave. O vento trazia o cheiro de terra, capim e suor, cheiro de rancho. Ela apoiou os cotovelos no parapeito, com os olhos varrendo o pasto como se procurasse por ele. O homem que a confundia, a provocava, a desarmava com um simples olhar. E que, ao mesmo tempo, fazia seu coração disparar como se nunca tivesse conhecido o amor antes.
— Onde você se meteu, cowboy? — murmurou baixinho, com um sorriso involuntário, enquanto deixava o olhar dançar pelo campo.
Foi então que ouviu passos atrás de si. Pensou que fosse Catarina e chegou a abrir um sorriso, mas, ao se virar, viu Amanda parada no batente da porta, os braços cruzados e um sorriso debochado no rosto.
— Então… — Amanda começou, a voz carregada de veneno, aproximando-se devagar — a megera indomável ainda é… virgem?
O sangue de Lila ferveu na hora. Ela piscou, surpresa, arqueou uma sobrancelha e estreitou os olhos, mas manteve o corpo firme. Não recuaria jamais, nem deixaria Amanda a intimidar.
— O quê? — disse, com um tom de frieza calculada na voz. — Amanda, eu não sei se você percebeu, mas o seu lugar não é bisbilhotando a minha vida.
Amanda riu baixo, um som carregado de provocação, e inclinou levemente a cabeça.
— Ah, por favor, Lila… — disse, balançando a mão como quem dispensava uma desculpa barata. — A fazenda inteira acha que você é essa mulher irresistível, cheia de experiência, a “megera” que ninguém controla… e, no fim, você não passou nem da primeira página? Isso é… fascinante.
Lila cruzou os braços contra o peito e encarou os olhos castanhos de Amanda, deixando que a raiva transparecesse sem disfarces.
— Fascinante? Não, querida… fascinante é como você ainda tem coragem de falar do Taylor, mesmo sabendo que ele não te quer. Isso sim, eu admiro.
Amanda engoliu seco, os ombros enrijecendo, mas manteve o sorriso cínico no rosto.
— Quem disse que ele não me quer?
Lila deu um passo à frente, a poucos centímetros do rosto de Amanda, a postura ereta, a voz baixa e cortante:
— Quem disse? O próprio Taylor. Todos os dias, no olhar, nas atitudes. Em cada segundo que ele escolhe estar comigo e não com você.
Amanda sentiu o impacto das palavras e recuou um passo, sentiu o corpo estremecer e os olhos faiscar de raiva.
— Cuidado, Lila. — sibilou, com o maxilar trincado. — Essa sua pose de “a escolhida” pode cair mais rápido do que você imagina.
Lila soltou uma risadinha seca, carregada de deboche.

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