Os cascos de Diablo e Trovoada batiam contra o chão com força, levantando poeira pelo caminho enquanto Taylor e Maurício desciam a colina em disparada. O vento cortava o rosto, trazendo o cheiro forte de capim amassado e terra seca. À medida que se aproximavam, o barulho dos mugidos misturados aos gritos dos peões crescia, como um chamado de guerra.
Taylor inclinou o corpo sobre Diablo, sentia o corpo todo tenso, o chapéu estava firme na cabeça e seus olhos azuis encaravam fixamente o horizonte. O garanhão negro bufava pesado, a crina voava ao vento, como se sentisse a urgência do dono. Do lado, Maurício segurava firme as rédeas de Trovoada, avançando como um trovão pelo campo.
Quando alcançaram o pasto, o cenário era digno de um filme de desastre: mais de vinte bois estavam espalhados por todos os lados, correndo soltos, levantando nuvens de poeira que queimavam os olhos e dificultavam a visão. Dois peões tentavam laçar os animais, mas o esforço era inútil, os bichos estavam agitados, fugindo em direção ao que todo mundo temia: o milharal do velho James.
E lá estava ele.
James, de braços cruzados, com a camisa xadrez encharcada de suor, e o rosto vermelho de raiva, gritando palavrões que ecoavam pelo vale.
— EU AVISEI! — berrou assim que viu Taylor se aproximar. — SABIA QUE ESSA CERCA IA CAIR! Agora olha aí, seus bichos destruindo tudo! O prejuízo vai ser MEU, Remington!
Taylor puxou as rédeas com força, freando Diablo a poucos metros do velho, sentia o peito arfar de raiva. Passou a mão no rosto coberto de poeira e respondeu, seco:
— Bom dia pro senhor também, James. A gente vai resolver isso.
— Resolver?! — James avançou um passo, o dedo quase encostando no peito nu de Taylor. — Vinte bois seus no meu terreno! Se essa bagunça não for contida hoje, você vai pagar cada espiga desse milharal com juros!
Maurício chegou logo atrás com Trovoada, tentando amenizar.
— Calma, seu James… a gente vai recuperar os bois, ninguém vai sair no prejuízo.
— “Calma” uma ova, Maurício! — James cuspiu no chão, tremendo de raiva. — Vocês da família Remington acham que mandam no vale inteiro, mas no meu terreno ninguém pisa sem pagar caro!
Taylor estreitou os olhos, cruzando os braços, e encarando o mais velho com intensidade.
— Então pede pros seus espantalhos cuidarem dos bois, James. — respondeu, com um sarcasmo afiado.
Maurício soltou um riso nervoso, quase engasgando.
— Não provoca o homem, Taylor… — murmurou baixo, puxando o cunhado pelo braço. — Você não quer piorar isso.
Mas Taylor ignorou. Passou os olhos pelo pasto, analisando a bagunça, até localizar os bois mais afastados, já invadindo a primeira fileira de milho.
Ele respirou fundo e gritou para os peões:
— CADÊ AS CORRENTES?!
Um dos rapazes, suado e ofegante, respondeu:
— Tão vindo, patrão! — ergueu duas cordas e um balde de ração. — Mas os bichos tão ariscos, não tão obedecendo!
Taylor pegou a corda das mãos dele, enrolando-a firme no punho, com o olhar determinado.
— Maurício, você vai pelo lado esquerdo e bloqueia a passagem pro curral. Eu entro pelo meio.

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