O tempo parou.
Lila sentiu o chão de madeira sob seus pés desaparecer. As palavras ecoaram na varanda como um trovão. Seu peito travou, o coração acelerou, e os dedos gelaram instantaneamente.
Catarina piscou várias vezes, tentando processar o choque estampado no rosto. A voz dela saiu trêmula, quase falhando:
— Você… o quê?!
Amanda respirou fundo, as lágrimas agora escorriam pelo rosto descontroladas, mas não desviou o olhar:
— Foi no seu aniversário de dezoito anos, naquela festa enorme que o seu pai fez aqui na fazenda. A gente bebeu demais. Ele… ele não lembra de nada. No outro dia, o Taylor me procurou desesperado, perguntando se tinha acontecido alguma coisa entre nós… e eu menti.
O ar sumiu.
Lila levou a mão à boca, tentando conter a surpresa da revelação.
Catarina, por sua vez, parecia petrificada. Como algo tão sério tinha acontecido entre sua melhor amiga e seu irmão e Amanda nunca tinha contado? Ela sentiu os músculos tensionar e sua fisionomia mudou de surpresa para mágoa e raiva.
— Você… você mentiu pra ele? Esse tempo todo? Você… dormiu com o meu irmão… e nunca me contou?
Amanda assentiu, finalmente deixando a voz quebrar:
— Eu menti, Cata. — sussurrou, com as lágrimas caindo. — Disse que não tinha acontecido nada… mas aconteceu. E eu… me odeio por isso. Porque eu amo o Taylor. Eu sempre amei. Mais do que tudo nessa vida.
Lila respirava com dificuldade, sentindo o coração apertado por uma dor que não sabia explicar. Catarina, por sua vez, estava imóvel, com os olhos vidrados, tentando processar uma ferida aberta que vinha de onde menos esperava.
O silêncio na varanda se tornou pesado.
Amanda, com os olhos marejados e o peito arfando, fixava Lila com um olhar duro, quase de ódio. Ela se levantou da cadeira e se aproximou de Lila a encarando nos olhos e disse com a voz trêmula:
— Você acha que me engana, não é, Lila? — disse, com o tom aumentando a cada palavra. — Você só aceitou esse casamento porque seus pais ameaçaram te tirar tudo. Mas quando viu quem era Taylor… — disse com um sorriso amargo. — começou a se jogar para ele como uma vagabunda.
As palavras bateram como t***s no rosto de Lila. O coração dela acelerou, o sangue ferveu, e as mãos tremeram, não de medo… mas de raiva.
Catarina, que até então estava tentando processar toda a confusão, arregalou os olhos com a acusação, pronta para intervir, mas Lila não esperou.
Antes que qualquer uma pudesse reagir, Lila avançou contra Amanda, com os passos firmes e os olhos faiscando.
Plaft
O som do estalo ecoou pela varanda quando sua mão atingiu o rosto da outra com força. Amanda recuou um passo, surpresa. Levou a mão ao local onde Lila havia batido surpresa.
Amanda levou a mão ao rosto, onde a marca ardida do tapa de Lila começava a se formar. Os olhos dela, já marejados, se encheram de lágrimas de imediato. Mas não eram apenas dor física. Eram de raiva, humilhação e um ressentimento acumulado por anos.
— Você… — ela arfou, a voz embargada, os lábios tremendo. — Você me bateu?
Lila respirava com dificuldade, com o olhar cravado nos olhos de Amanda, cheio de fogo:
— Chega, Amanda! — gritou, com a voz embargada, mas firme. — Eu já aguentei demais você me atacar pelas costas, mas hoje você passou de todos os limites!
Amanda abriu a boca para responder, mas Lila não deixou. Deu um passo à frente, e com o rosto próximo ao dela, continuou falando:
— Sabe qual é o seu problema? — disse, com os olhos marejados, mas a voz afiada como uma lâmina. — Inveja. Você tem inveja de mim porque eu tenho o que você sempre quis. Inveja porque, por mais que você tenha tentado a vida inteira… o Taylor nunca olhou pra você como olha pra mim.
— Eu amo o Taylor… e odeio você por ter roubado isso de mim.
Dito isso, girou nos calcanhares e saiu às pressas, atravessando a varanda como um vendaval, deixando Lila e Catarina para trás.
O silêncio que ficou foi pesado. Catarina respirou fundo, levando a mão à testa, exausta. Lila, imóvel, permanecia de pé, sentindo o coração martelar no peito.
Lila respirou fundo, tentando conter o tremor que lhe percorria as mãos. As palavras de Amanda ainda ecoavam em sua mente como punhais, e por mais que quisesse acreditar no que Catarina dizia, a culpa e a dor continuavam latejando dentro dela.
A noite parecia mais escura, a varanda silenciosa, como se até a própria fazenda tivesse parado para ouvir aquele desabafo.
— Eu não queria machucar ninguém, Catarina… — murmurou, a voz embargada, os olhos marejados.
Catarina se aproximou devagar, pousou as mãos nos ombros da cunhada e falou com firmeza:
— Eu sei, Lila. — repetiu, desta vez olhando-a fundo nos olhos. — Você não tem culpa. Amanda está cega pelo que sente e precisava ouvir a verdade, mesmo que doa.
As lágrimas finalmente escaparam dos olhos de Lila, mas ela não desviou o olhar. Catarina a puxou para um abraço rápido, apertado, como quem protege, mesmo sem saber como.
— Vai passar — disse Catarina, baixinho, quase como uma promessa. — Ela vai ter que lidar com os próprios sentimentos. E você… vai ter que ser forte. Meu irmão precisa de você.
Lila fechou os olhos, apoiando a cabeça no ombro da cunhada. Pela primeira vez desde que chegara àquela casa, sentiu que não estava completamente sozinha.
A porta rangeu ao vento, o silêncio pesado voltando a envolver as duas. Amanda havia partido como um vendaval, deixando rastros de dor. Mas ali, na varanda iluminada apenas pela luz fraca da lua, Lila percebeu que um novo elo havia sido forjado — doloroso, sim, mas firme.
E dentro de si, fez uma promessa silenciosa: não deixaria Amanda ou qualquer outra sombra destruir o que estava começando a nascer entre ela e Taylor.

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