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Casamento Forçado: O Cowboy com quem me casei era Bilionário romance Capítulo 14

O piso da escadaria parecia mais escorregadio naquela manhã. Lila descia com passos cuidadosos, o cabelo ainda úmido do banho, vestindo um conjunto de moletom caro, mas longe da elegância que costumava exibir. Estava sem maquiagem, sem salto, sem defesas. O rosto ainda trazia os traços da noite mal dormida e da irritação acumulada desde que Tomás resolveu invadir seu quarto como o mensageiro do apocalipse.

A cada degrau, o som das vozes lá embaixo ficava mais nítido. E mais tenso. A voz de Gabriel Montgomery, seu pai, era a primeira a dominar o ambiente: grave, firme, com aquela entonação que ele usava em reuniões com investidores internacionais ou em encontros com senadores. Quando falava assim, não se pedia a palavra, apenas se escutava.

Lila hesitou no último degrau. Respirou fundo, tentou alinhar os ombros, mas não adiantou. Sabia que o que a esperava seria muito pior do que qualquer trending topic do T*****r.

Ao entrar na sala de estar principal, encontrou o pai em pé diante da lareira, com os olhos faiscando, a expressão dura. As mangas da camisa estavam dobradas até os cotovelos, o paletó jogado em cima da poltrona, e as mãos nos quadris em pose de batalha.

Na poltrona ao lado, estava Fiorella Montgomery, sua avó, envolta em um xale de renda, com um lenço florido no colo e o olhar entre trágico e prestes a desmaiar. Tomás estava casualmente sentado no encosto do sofá, com um sorriso debochado, como se estivesse assistindo a um episódio ao vivo do reality show da irmã.

— A estrela do escândalo resolveu descer — comentou Tomás, sarcástico.

— Fique calado, Tomás — rosnou Gabriel, antes mesmo de Lila responder. Ele apontou para o sofá com um gesto seco. — Sente-se. Agora.

Ela obedeceu sem discutir.

O fato de não estar disposta a responder já dizia muito. A noite anterior ainda rodava em sua cabeça como uma sirene. A boate, o vestido, a bebida, o beijo, o vídeo.

O vídeo…

Gabriel passou a mão pelos cabelos frustrado. Andava de um lado para o outro, como se contivesse um furacão prestes a explodir.

— Você tem ideia da repercussão da sua atitude? Aquele vídeo? Aquela boate? A forma como você foi exposta?

— Eu estava só me divertindo com amigos, não foi nada demais… — rebateu Lila, sem encarar o pai.

— Nada demais?! — explodiu ele, num tom que fez até Tomás levantar uma sobrancelha. — Você foi arrastada por um homem no meio de uma boate como um saco de batatas de salto alto! O vídeo está em pelo menos oito perfis de fofoca, nos grupos de acionistas e até circulando em círculos políticos!

— Eu sou solteira, não fiz nada demais.

— Solteira? — Gabriel se virou abruptamente, encarando-a. — Você está noiva. Está prestes a se casar com o herdeiro de uma das famílias mais tradicionais do país. Você assinou um contrato. Não pode se comportar como uma influenciadora de quinta!

— Um contrato, pai! Foi isso que você acabou de dizer. Esse casamento é um negócio, não um conto de fadas!

— E negócios exigem postura, reputação! Você acha que pode sair por aí dançando em boates, sendo filmada, se comportando como uma garota que não tem responsabilidades?

— Taylor me arrastou como um Neandertal! E ninguém falou nada sobre isso.

— COMO ACHA QUE ELE SE SENTIU LILA, VENDO A NOIVA DANÇANDO DE MANEIRA LEVIANA AO LADO DE DOIS HOMENS?

— MAS ISSO NÃO LHE DÁ O DIREITO DE ME CARREGAR COMO UM SACO DE BATATAS NA FRENTE DE TODO MUNDO. E POR ACASO O MUNDO ACABOU?

— O mundo não, Lila. Mas o nosso acordo quase.

Silêncio.

Lila arregalou os olhos.

— O quê?

Gabriel voltou a andar pela sala, gesticulando, com os olhos brilhando de frustração.

— Você tem noção do que fizemos para viabilizar esse noivado? Dos milhões que estão envolvidos? Dos contratos com o grupo Remington? Da confiança dos investidores?

— Você está dizendo que meu noivado é um investimento?!

— Claro que é! — rebateu ele, impiedoso. — Você acha que essa união foi pensada com base em flores, anéis e promessas? Foi estratégia. E agora está sendo questionada por causa de um vídeo viral onde você aparece bêbada, rindo, e sendo levada nos ombros pelo homem que deveria representar força e compostura!

— Ah, então agora eu sou o problema e o fazendeiro é a vítima da minha rebeldia?!

Gabriel parou de andar e a encarou, com os olhos fixos e frios.

— Não é sobre culpa, Lila. É sobre imagem e você sempre soube disso.

O silêncio que se seguiu foi preenchido por um suspiro dramático vindo da poltrona. Todos viraram o rosto ao mesmo tempo para encarar Magnólia, que parecia ter envelhecido dez anos em cinco minutos.

Ela puxou o lenço de renda e levou à testa.

— A minha neta… minha única neta… arrastada em público como uma acrobata de circo…

— Vovó, não começa…

— Você vai me enterrar, Lila. É isso. Vou morrer sem te ver de véu e grinalda. E pensar que eu mandei bordar aquele vestido na Itália…

— Ninguém morreu, vovó.

Lila arregalou os olhos.

— Você não está falando sério.

— Estou. Você não será apenas deserdada, Lila. Você vai descobrir como é viver como qualquer garota comum. Sem cartão black, sem chofer, sem mordomos.

A sala caiu em silêncio. O único som era o tique-taque do relógio de parede.

Gabriel respirou fundo, mas seu semblante seguia carregado de frustração, seus maxilares estavam travados, como se estivesse engolindo a última dose de paciência que ainda restava.

— Taylor e os pais dele virão para o jantar esta noite — disse com voz grave, pausada, o tom de quem não aceitava objeções. — Vamos resolver isso como adultos. Com compostura, discrição. E você vai se comportar, Lila. Porque esta família não vai virar piada nacional nas colunas sociais ou nos grupos privados dos acionistas.

Lila se levantou de súbito, como se algo dentro dela tivesse sido ferido de maneira irreversível. Os olhos marejados brilhavam como cristal prestes a se despedaçar.

— Não se preocupe, pai — disse com a voz embargada, porém firme. — Farei o que for necessário pelo bem da empresa… e da nossa imagem de família perfeita. Mesmo que isso signifique abrir mão da única coisa que me resta.

— E o que seria isso? — perguntou Gabriel, franzindo o cenho.

Ela hesitou por um segundo antes de sussurrar:

— De mim mesma.

A respiração de Fiorella falhou. A velha senhora levou o lenço de renda aos olhos, contendo uma emoção que há muito tempo não demonstrava. Um soluço silencioso escapou, e então ela murmurou:

— Minha garotinha... tão cheia de vida... agora falando como uma Montgomery...

Lila forçou um sorriso fraco para a avó, um daqueles sorrisos que só disfarçam dores profundas. Seus olhos varreram o rosto do pai, depois o da mãe, que agora cruzava os braços como se quisesse impedir o mundo de desmoronar. Mas não disse mais nada. Porque se dissesse, choraria.

Em silêncio, virou-se e deixou a sala.

Seus passos soaram pesados no mármore. O som ecoou por todo o hall como um presságio. Seus ombros estavam tensos, as mãos cerradas com tanta força que as unhas fincavam nas palmas. Mas o que realmente doía era a sensação ardente em seu peito, como se estivesse prestes a viver algo que não pediu, nem quis.

Porque no fundo, ela sabia.

A noite prometia ser longa e a tensão estava prestes a explodir.

E Taylor Remington Miller, o homem que mexia com ela mais do que ela gostava, agora dividia com ela o altar de um acordo. O grande problema era que Lila temia o que sentia, mas no fundo, ela sabia que já era tarde demais.

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