O sol entrava pelas frestas da cortina de linho branco como um dedo acusador, atravessando o quarto luxuoso com insistência. O cômodo de Lila Montgomery era, como ela mesma, impecável e dramático. Cortinas altas, uma cama king-size coberta por almofadas em tons de rosa queimado, um espelho antigo com moldura dourada, perfumes alinhados sobre a penteadeira. Tudo ali era exatamente como ela queria: harmonioso, estético, controlado.
Exceto por uma coisa.
— Ei, princesinha? Hora de acordar!
A voz ecoou como um trovão preguiçoso. E a mão de Tomás bateu contra a porta com força suficiente para abalar a paz dos pássaros do jardim.
Lila se virou na cama, gemendo alto e puxando o edredom sobre a cabeça.
— Não enche, Tomás! Vai ver se eu estou lá na esquina!
— Acho melhor você acordar logo… — ele abriu a porta sem cerimônia, encostando-se no batente com os braços cruzados e expressão cínica. — O papai está furioso lá na sala. E adivinha quem ele quer ver antes de tomar o segundo café?
Lila soltou outro gemido. Se enterrava no travesseiro como se ele pudesse protegê-la da realidade. Mas a realidade, naquela manhã, era barulhenta, sarcástica e tinha a voz irritante do irmão mais velho.
Tomás entrou no quarto como se fosse seu, tirou os sapatos e se jogou de costas na cama da irmã.
Lila, ainda de camisola curta de cetim branco e cabelos bagunçados, ergueu o tronco com esforço e encarou o irmão com os olhos apertados e a expressão assassina.
— Você é insuportável. Juro por Deus.
— Você ainda não viu nada, maninha. — ele riu, de braços cruzados atrás da cabeça. — Vai querer estar de volta ao útero depois da bronca que o papai vai te dar.
Lila se levantou da cama a contragosto, com os cabelos despenteados e a maquiagem borrada do dia anterior. Caminhou irritada de um lado para o outro, arrastando os pés, xingando baixo. A ponta da camisola esvoaçava conforme ela girava de um lado ao outro do quarto como uma pantera emburrada.
— Vai ficar aí mesmo? — ela perguntou, parando diante da porta do banheiro, com as mãos nos quadris.
— Não queria estar na sua pele! — Tomás respondeu com uma risadinha debochada. — Aliás, notícia de última hora: a vovó está chegando. E quer falar com você também.
Lila arregalou os olhos.
— A vovó?!
— Exatamente. Fiorella Montgomery. Em carne, osso e julgamento moral eterno. Boa sorte.
Ela soltou um grunhido de frustração, bateu a mão contra a porta do banheiro e encarou o irmão com ódio fraternal.
— Tomás, me deixe em paz antes que eu jogue uma das minhas sandálias de cristal no seu olho!
Ele riu alto, claramente se divertindo.
— Relaxa. Só vim te trazer um presentinho…
Lila parou de andar.
— Que presentinho?
Tomás tirou o celular do bolso e desbloqueou a tela. Mostrou o vídeo sem dizer nada. A imagem era clara: Taylor Remington Miller, o cowboy loiro e irritantemente gostoso, carregando Lila de cabeça para baixo nos ombros como se ela fosse um saco de farinha com salto agulha. O vestido dela pendendo, os cabelos balançando, as pernas chutando o ar, enquanto ela berrava algo que não conseguia ouvir por causa do som da música eletrônica.
A legenda?
“Domada no grito. A princesa selvagem e o caubói da roça.”
Lila arregalou os olhos, as mãos subiram à boca, e o pânico se espalhou por seu rosto em ondas.
— Minha vida acabou.
Tomás se esparramou mais ainda sobre a cama, rindo alto, satisfeito.
— Acho que estou começando a gostar do meu cunhado…
— Vá se ferrar, Tomás! — ela gritou, pegando uma almofada e jogando com força contra o irmão, que desviou por pouco.
— Ei, você devia me agradecer. Fui eu que te avisei antes do papai mostrar esse vídeo na tela da sala com direito a pausa dramática!
— Sai daqui!
Lila entrou no banheiro e bateu a porta, furiosa, sentindo o coração disparar dentro do peito.

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